Reinaldo Azevedo
"Lula e a barbárie: "Valeu a pena cada choque que vocês tomaram"
“Ah, como você fala de Lula”, reclamam os petralhas. Pois é… É que Lula fala muito. E ele pode até me entediar às vezes — no mais das vezes, o lado cômico me diverte —, mas não vou me acostumar com suas simplificações nem darei de barato alguns absurdos que diz. De certo modo, eu sou uma das pessoas que mais respeitam a figura institucional do presidente da República. Se o “presidente” fala, então eu considero assunto relevante. E não tenho culpa, não mesmo!, se o presidente da hora é Lula e não consigo me acostumar com alguns de seus juízos tortos.
Ontem, houve aquela cerimônia sobre direitos humanos, aquela da Dilma-sem-peruca (ver post). Inês Etienne Romeu, uma ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária — grupo a que Dilma também pertenceu — foi condecorada. E o PRESIDENTE DA REPÚBLICA disse esta maravilha:
“Minha querida Inês, eu só queria te dizer uma coisa: valeu a pena cada gesto que vocês fizeram. Cada choque que vocês tomaram, cada apertão que vocês tiveram, valeu a pena porque nós aprendemos”. As pessoas presentes, acreditem vocês, aplaudiram!!! E ele então completou: “E, na medida em que a gente aprende, a gente garante que não haverá mais retrocesso neste país e isso nós devemos a vocês que lutaram por nós.”
Trata-se de um juízo obviamente asqueroso, que consegue ver virtude na tortura. O que ele diz é claro, não requer nenhuma interpretação. MENTIRA! NÃO HÁ CHOQUE DADO PELO ESTADO QUE VALHA A PENA. NÃO HÁ APERTÃO DADO PELO ESTADO QUE VALHA A PENA.
Eis uma concepção de história e de luta política que admite, em algum grau, a utilidade da violência. Na base dessa concepção, está a tese de que a liberdade e a democracia são filhas do martírio. E é escusado dizer que parte das esquerdas acredita nisso ainda hoje — freqüentemente, alguém corre os riscos em lugar dos formuladores dessa visão de mundo.
Se o choque valeu a pena, senhor Luiz Inácio Lula da Silva, aquele que deu o choque também cumpria o seu papel na construção da liberdade. Quem, em sã consciência, poderia fazer tal alegação? A rigor, no rol das declarações estapafúrdias de Lula ao longo de sete anos, esta deve ocupar o primeiro lugar.
Quanto ao resto, dizer o quê?
EU NÃO DEVO A MINHA LIBERDADE À VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA. A VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA É QUE DEVE SATISFAÇÕES ÀS FAMÍLIAS DAS PESSOAS QUE O GRUPO TERRORISTA MATOU. E ESTAS NÃO SERÃO INDENIZADAS PELO ESTADO.
Sim, ao lado da concepção estúpida de história e de ter encontrado uma utilidade política para a tortura, há no discurso de Lula aquela reescritura do passado, que faz crer numa luta do Bem contra o Mal. Se for nesses termos, tratava-se de uma luta do Mal contra o Mal. Os mortos da ditadura foram 427 (segundo as próprias esquerdas — e não deveria ter morrido uma única pessoa depois de presa, que se destaque) porque a VPR de Dilma e grupos terroristas afins não venceram a batalha. Tivessem vencido, e contaríamos os cadáveres aos milhares, quem sabe aos milhões. Porque a direita reacionária sempre foi aprendiz na arte de matar, coisa em que as esquerdas foram e são profissionais exímias.
É tudo um lixo. Mas não vejo ninguém extraindo lições de moral do lixo da direita. Já o lixo da esquerda tem a pretensão de erigir um evangelho!
Dou uma banana para as virtudes dos choques elétricos do discurso de Lula!
Dou uma banana para esse heroísmo do terror que nunca cessa de exumar o passado porque quer seqüestrar nosso futuro.
23.12.09
Curso de expressão gay ou arte?
"Uma escola com cursos voltados para jovens homossexuais, principalmente com idades entre 12 a 18 anos, deve ser inaugurada em março de 2010 em Campinas, a 93 km da capital paulista. O projeto da Escola Jovem LGBT é um dos 300 vencedores do edital “Pontos de Cultura”, uma parceria entre o Governo de São Paulo e o Ministério da Cultura.
O objetivo do edital era apoiar iniciativas de fomento, difusão, produção e formação cultural, segundo a Secretaria de Estado da Cultura. Foram recebidas mais de 1.100 inscrições vindas de 249 cidades paulistas entre junho e agosto. Os 300 vencedores, anunciados em novembro, irão receber R$ 180 mil ao longo de três anos.
O projeto da escola é do Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados, que trabalha desde 2001 com adolescentes homossexuais. De acordo com o jornalista e educador Deco Ribeiro, de 37 anos, diretor da escola, serão oferecidos cursos voltados para a área cultural. “Queremos dar ferramentas para o jovem gay poder se expressar para a sociedade. Vai se um espaço aberto para o jovem expressar sua sexualidade”, afirma.
Haverá aulas de criação de zines, revistas, criação literária, dança, música, TV, cinema, teatro e performance drag. Os cursos, divididos em módulos, serão gratuitos e abertos também para o público heterossexual. Segundo Ribeiro, o objetivo é também incentivar essa interação. O material produzido pelos alunos será distribuído gratuitamente em todo o estado."
Do Portal G1.
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Vamos lá:
Versão oficial:
"O objetivo do edital era apoiar iniciativas de fomento, difusão, produção e formação cultural."
Versão oficiosa:
"De acordo com o jornalista e educador Deco Ribeiro, de 37 anos, diretor da escola, serão oferecidos cursos voltados para a área cultural. “Queremos dar ferramentas para o jovem gay poder se expressar para a sociedade. Vai se um espaço aberto para o jovem expressar sua sexualidade."
Está certo...
Acredite se quiser.
"Uma escola com cursos voltados para jovens homossexuais, principalmente com idades entre 12 a 18 anos, deve ser inaugurada em março de 2010 em Campinas, a 93 km da capital paulista. O projeto da Escola Jovem LGBT é um dos 300 vencedores do edital “Pontos de Cultura”, uma parceria entre o Governo de São Paulo e o Ministério da Cultura.
O objetivo do edital era apoiar iniciativas de fomento, difusão, produção e formação cultural, segundo a Secretaria de Estado da Cultura. Foram recebidas mais de 1.100 inscrições vindas de 249 cidades paulistas entre junho e agosto. Os 300 vencedores, anunciados em novembro, irão receber R$ 180 mil ao longo de três anos.
O projeto da escola é do Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados, que trabalha desde 2001 com adolescentes homossexuais. De acordo com o jornalista e educador Deco Ribeiro, de 37 anos, diretor da escola, serão oferecidos cursos voltados para a área cultural. “Queremos dar ferramentas para o jovem gay poder se expressar para a sociedade. Vai se um espaço aberto para o jovem expressar sua sexualidade”, afirma.
Haverá aulas de criação de zines, revistas, criação literária, dança, música, TV, cinema, teatro e performance drag. Os cursos, divididos em módulos, serão gratuitos e abertos também para o público heterossexual. Segundo Ribeiro, o objetivo é também incentivar essa interação. O material produzido pelos alunos será distribuído gratuitamente em todo o estado."
Do Portal G1.
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Vamos lá:
Versão oficial:
"O objetivo do edital era apoiar iniciativas de fomento, difusão, produção e formação cultural."
Versão oficiosa:
"De acordo com o jornalista e educador Deco Ribeiro, de 37 anos, diretor da escola, serão oferecidos cursos voltados para a área cultural. “Queremos dar ferramentas para o jovem gay poder se expressar para a sociedade. Vai se um espaço aberto para o jovem expressar sua sexualidade."
Está certo...
Acredite se quiser.
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Nova Ordem Mundial; Nova Era
Colapso da moral: Padre britânico sugere que pobres furtem
"Um padre anglicano britânico aconselhou a seus fiéis que roubem em lojas se tiverem passando necessidade.
O padre Tim Jones, da paróquia de São Lourenço e Santa Hilda, no condado de York, no norte da Inglaterra, disse no sermão de domingo que as pessoas deveriam furtar de grandes cadeias de lojas e não de estabelecimentos pequenos.
Segundo ele, a atitude da sociedade para com os necessitados "deixa algumas pessoas sem outra opção a não ser o crime".
"Meu conselho, como padre cristão, é furtar em lojas", disse. "Eu não faço esta recomendação porque acho que furtar é uma coisa boa, ou porque acho que não faz mal, pois faz."
"Eu pediria que não furtem de lojas pequenas, de negócios familiares, mas de empresas de âmbito nacional, sabendo que os custos acabarão sendo repassados para o restante de nós na forma de preços mais altos."
"Quando as pessoas são libertadas da prisão ou se encontram repentinamente sem trabalho ou apoio da família, deixá-las por semanas e semanas com apoio social inadequado (...) é uma insensatez monumental, catastrófica."
'Irresponsável'
Mas o Arquidiácono de York, Richard Seed, disse: "A Igreja da Inglaterra (anglicana) não recomenda que ninguém furte."
"O padre Tim Jones está levantando questões importantes sobre as dificuldades que as pessoas enfrentam quando o apoio social não é oferecido, mas furto em lojas não é a forma de superar essas dificuldades."
A polícia da região, Yorkshire do Norte, qualificou o sermão como "altamente irresponsável".
Um porta-voz da força disse que, apesar de as pessoas sofrerem dificuldades financeiras, "furtar em lojas ou cometer outros crimes nunca deveria ser a solução".
"Fazer isso seria tornar a espiral (social) descendente ainda mais rápida, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade como um todo", afirmou.
Mais tarde, em entrevista à rádio da BBC em York, Jones afirmou que sua intenção não era encorajar as pessoas ao furto, mas a doar mais para a caridade para impedir que os necessitados fiquem desesperados.
"Se uma pessoa esgotou todas as oportunidades dentro da lei para obter dinheiro e ainda está em uma situação desesperadora, a melhor coisa a fazer moralmente é pegar apenas o que precisar e só pelo tempo que precisar", afirmou."
Do portal G1.
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Acredite se quiser.
"Um padre anglicano britânico aconselhou a seus fiéis que roubem em lojas se tiverem passando necessidade.
O padre Tim Jones, da paróquia de São Lourenço e Santa Hilda, no condado de York, no norte da Inglaterra, disse no sermão de domingo que as pessoas deveriam furtar de grandes cadeias de lojas e não de estabelecimentos pequenos.
Segundo ele, a atitude da sociedade para com os necessitados "deixa algumas pessoas sem outra opção a não ser o crime".
"Meu conselho, como padre cristão, é furtar em lojas", disse. "Eu não faço esta recomendação porque acho que furtar é uma coisa boa, ou porque acho que não faz mal, pois faz."
"Eu pediria que não furtem de lojas pequenas, de negócios familiares, mas de empresas de âmbito nacional, sabendo que os custos acabarão sendo repassados para o restante de nós na forma de preços mais altos."
"Quando as pessoas são libertadas da prisão ou se encontram repentinamente sem trabalho ou apoio da família, deixá-las por semanas e semanas com apoio social inadequado (...) é uma insensatez monumental, catastrófica."
'Irresponsável'
Mas o Arquidiácono de York, Richard Seed, disse: "A Igreja da Inglaterra (anglicana) não recomenda que ninguém furte."
"O padre Tim Jones está levantando questões importantes sobre as dificuldades que as pessoas enfrentam quando o apoio social não é oferecido, mas furto em lojas não é a forma de superar essas dificuldades."
A polícia da região, Yorkshire do Norte, qualificou o sermão como "altamente irresponsável".
Um porta-voz da força disse que, apesar de as pessoas sofrerem dificuldades financeiras, "furtar em lojas ou cometer outros crimes nunca deveria ser a solução".
"Fazer isso seria tornar a espiral (social) descendente ainda mais rápida, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade como um todo", afirmou.
Mais tarde, em entrevista à rádio da BBC em York, Jones afirmou que sua intenção não era encorajar as pessoas ao furto, mas a doar mais para a caridade para impedir que os necessitados fiquem desesperados.
"Se uma pessoa esgotou todas as oportunidades dentro da lei para obter dinheiro e ainda está em uma situação desesperadora, a melhor coisa a fazer moralmente é pegar apenas o que precisar e só pelo tempo que precisar", afirmou."
Do portal G1.
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Acredite se quiser.
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Nova Ordem Mundial; Nova Era
Não leu o manual: Tecnologia racista?
"O sistema de reconhecimento de faces de uma nova webcam da HP não funcionaria com rostos de pessoas negras, segundo um vídeo postado no YouTube . A acusação é feita por Desi Cryer, um americano que gravou com uma colega de trabalho o vídeo que já foi visto por quase um milhão de pessoas.
A webcam vem integrada em computadores recém-lançados pela HP e tem um sistema de reconhecimento de faces que faz com que ela siga os movimentos do rosto do usuário. No vídeo, Cryer mostra como a câmera fica parada quando ele move o rosto, mas funciona quando o movimento é feito por sua colega de trabalho Wanda Zamen, que é branca.
Eu acho que a minha negritude está interferindo com a capacidade do computador me seguir
"Eu acho que a minha negritude está interferindo com a capacidade do computador me seguir", ironiza Cryer em determinado momento do vídeo.
Um dia após a publicação do vídeo, a HP respondeu às críticas em seu blog oficial . A empresa agradece a Cryer e a "todos que comentaram no vídeo, por trazer o problema à nossa atenção".
"A tecnologia utilizada é baseada em algoritimos que medem a diferença de contraste entre os olhos e o alto da bochecha e do nariz. Nós acreditamos que a câmera pode ter dificuldades em 'ver' o contraste em condições de pouca luz a frente do rosto". Neste link a empresa fornece informações de como configurar o aparelho."
Do blog Digital.
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Acredite se quiser.
"O sistema de reconhecimento de faces de uma nova webcam da HP não funcionaria com rostos de pessoas negras, segundo um vídeo postado no YouTube . A acusação é feita por Desi Cryer, um americano que gravou com uma colega de trabalho o vídeo que já foi visto por quase um milhão de pessoas.
A webcam vem integrada em computadores recém-lançados pela HP e tem um sistema de reconhecimento de faces que faz com que ela siga os movimentos do rosto do usuário. No vídeo, Cryer mostra como a câmera fica parada quando ele move o rosto, mas funciona quando o movimento é feito por sua colega de trabalho Wanda Zamen, que é branca.
Eu acho que a minha negritude está interferindo com a capacidade do computador me seguir
"Eu acho que a minha negritude está interferindo com a capacidade do computador me seguir", ironiza Cryer em determinado momento do vídeo.
Um dia após a publicação do vídeo, a HP respondeu às críticas em seu blog oficial . A empresa agradece a Cryer e a "todos que comentaram no vídeo, por trazer o problema à nossa atenção".
"A tecnologia utilizada é baseada em algoritimos que medem a diferença de contraste entre os olhos e o alto da bochecha e do nariz. Nós acreditamos que a câmera pode ter dificuldades em 'ver' o contraste em condições de pouca luz a frente do rosto". Neste link a empresa fornece informações de como configurar o aparelho."
Do blog Digital.
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Nova Ordem Mundial; Nova Era
O governo democrático da Colômbia é que precisa de juízo???
"A Associação de Parentes de Policiais e Militares sequestrados pela guerrilha pediram nesta quarta-feira que o governo e o Exército ajam com "juízo e sensatez" após a morte do governador de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar Carvajal, que foi executado a tiros e degolado , na terça-feira, supostamente em audaciosa ação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)."
"Autoridades ainda não explicaram como os guerrilheiros conseguiram realizar a operação de sequestro em Caquetá, uma região com forte presença das forças oficiais em resposta à influência das Farc. Familiares de Cuéllar disseram que o governador não recebera qualquer ameaça, mas ressaltaram que havia rumores de um possível ataque das Farc no estado, mas que o alvo não seria o governador, mas sim algum local público ou instalação do Exército.
Autoridades federais mantiveram a recompensa de cerca de US$ 500 mil para quem der informações que levem aos autores do sequestro."
"O presidente colombiano, Alvaro Uribe, ordenou o lançamento de uma grande operação militar contra a guerrilha e determinou a libertação, por via militar, dos reféns em poder da guerrilha. Os acontecimentos abrem uma nova perspectiva de confronto quando o país se prepara para as eleições presidenciais de 2010."
Do O Globo.
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Acredite se quiser.
"A Associação de Parentes de Policiais e Militares sequestrados pela guerrilha pediram nesta quarta-feira que o governo e o Exército ajam com "juízo e sensatez" após a morte do governador de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar Carvajal, que foi executado a tiros e degolado , na terça-feira, supostamente em audaciosa ação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)."
"Autoridades ainda não explicaram como os guerrilheiros conseguiram realizar a operação de sequestro em Caquetá, uma região com forte presença das forças oficiais em resposta à influência das Farc. Familiares de Cuéllar disseram que o governador não recebera qualquer ameaça, mas ressaltaram que havia rumores de um possível ataque das Farc no estado, mas que o alvo não seria o governador, mas sim algum local público ou instalação do Exército.
Autoridades federais mantiveram a recompensa de cerca de US$ 500 mil para quem der informações que levem aos autores do sequestro."
"O presidente colombiano, Alvaro Uribe, ordenou o lançamento de uma grande operação militar contra a guerrilha e determinou a libertação, por via militar, dos reféns em poder da guerrilha. Os acontecimentos abrem uma nova perspectiva de confronto quando o país se prepara para as eleições presidenciais de 2010."
Do O Globo.
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Acredite se quiser.
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Nova Ordem Mundial; Nova Era
Miriam Leitão
"O não dito
O presidente Lula disse aos jornalistas que na mensagem de Natal vai incentivar os brasileiros a investir. Deveria seguir o conselho que dá. Segundo o site Contas Abertas, dos R$ 54,4 bilhões previstos para investir em 2009, o governo só usou US$ 11,9 bilhões, 22%. Se contar o que pagou das contas dos anos anteriores, chega a 56%. O governo gastou muito e investiu pouco.
Essa foi uma das várias informações que ele não deu na sua conversa com os jornalistas. O presidente Lula não tem o hábito dos presidentes democráticos de dar coletivas. Faz seus monólogos em solenidades, se deixa atropelar às vezes por microfones, em algum evento, onde só responde o que quer. Foi o único chefe de Estado a não receber a imprensa de seu país em Copenhague. No fim do ano, toma o café da manhã com jornalistas em ambiente que lhe favorece.
O clima, nestes cafés da manhã, o deixa à vontade. Muitos convidados na mesa em U. Ninguém pode insistir numa questão para não ser descortês com os colegas e parecer monopolizar a conversa. Não há muito espaço para o contraditório. Assim, ele discorre sobre o que quer, sem riscos.
No ano em que o governo mais gastou dinheiro do contribuinte para salvar empresas e transferir recursos para empresários, ele fugiu do tema. O governo até agora não disse quanto custou a conta. Quantos bilhões de impostos não foram pagos por produtores de carros, de bens de consumo duráveis? Quanto custou ao BNDES ter resgatado empresas que se encrencaram sozinhas na especulação cambial? Quanto custou ao Banco do Brasil seus empréstimos de emergências a empresas como a Sadia? Quanto se transferiu para grandes grupos nacionais e estrangeiros em nome do aumento do consumo da população? Uma reunião assim de fim de ano é uma boa oportunidade para que a Presidência faça uma prestação de contas séria. Mas para isso teria que ser uma Presidência que entende que prestar contas é uma obrigação, e a imprensa, um dos canais.
Lula disse que “inflação é coisa séria” e que “o controle da inflação é coisa da qual não abdicaremos”, mas, ao mesmo tempo, disse que não acha necessário elevar o superávit primário, defende aumento de gastos com funcionários, faz populismo com os aposentados, e diz que se o governo tem capacidade de endividamento deve usar.
Tudo junto é uma contradição ambulante. O governo este ano gastou demais, em subsídios pouco transparentes aos empresários, elevou fortemente o gasto com funcionários em plena queda de arrecadação, reduziu o superávit primário e acha que defendeu a inflação.
Na verdade, o governo Lula foi herdeiro da superação do pior problema brasileiro no final do século XX. Herdou sem merecer, porque foi, quando oposição, adversário de cada uma das etapas do controle inflacionário. Hoje, ele se apropria desse patrimônio. Por nunca ter entendido exatamente como se formam os riscos inflacionários, o governo Lula está minando as bases da estabilidade. E este ano de 2009 foi um exemplo disso.
O país saiu da recessão com a ajuda dos gastos públicos e porque o mundo ajudou, saindo também da recessão. Gastos públicos são o remédio num caso assim, mas o governo não demonstrou ter noção dos riscos de médio e longo prazo de um gasto corrente que cresce acima do PIB, com despesas de custeio em alta e investimento baixo.
O controle da inflação tem recaído sobre o Banco Central, e pelo uso da mais perversa das armas: a taxa de juros. Assim, se encarece a dívida do governo que já está aumentando pela elevação do gasto público.
Lula negou, durante o café da manhã, que vá ocorrer mudança na economia: “É difícil mudar o que está dando certo. Só se pode aperfeiçoar. O governo (Dilma) vai ser a continuidade do aperfeiçoamento. Dilma tem juízo político e econômico. Não rasga nota.”
A resposta já mostra que o presidente foi para o encontro para fazer dele mais um palanque para a sua candidata e não para uma prestação de contas. A verdade é que o estatismo, do qual Dilma é a maior defensora dentro do governo, é uma ameaça concreta à estabilidade e ao projeto que nos trouxe a inflação baixa. O estatismo, o gasto sem controle, os subsídios escondidos atrás da derrama do BNDES são uma forma de rasgar nota, de ameaçar o que foi conquistado em anos anteriores aos do governo Lula.
Lula disse que a proposta do pré-sal atende a todos. A proposta do pré-sal concentra a receita na União, expropria estados produtores, divide a Federação jogando estados contra estados, transfere patrimônio indevidamente à Petrobras, dá poderes regulatórios a uma nova estatal e descarna o órgão regulador. Durante a tarde, em um dos seus monólogos, ele disse no Rio que seus antecessores nos últimos 50 anos abandonaram o estado. Ele estaria fazendo o oposto. Não deve estar lembrando que da sua base política saiu uma proposta que tira do estado do Rio R$ 10 bilhões. O governo Lula chega ao seu último ano sem ter entendido a diferença entre prestar contas e fazer propaganda."
Do blog da autora.
"O não dito
O presidente Lula disse aos jornalistas que na mensagem de Natal vai incentivar os brasileiros a investir. Deveria seguir o conselho que dá. Segundo o site Contas Abertas, dos R$ 54,4 bilhões previstos para investir em 2009, o governo só usou US$ 11,9 bilhões, 22%. Se contar o que pagou das contas dos anos anteriores, chega a 56%. O governo gastou muito e investiu pouco.
Essa foi uma das várias informações que ele não deu na sua conversa com os jornalistas. O presidente Lula não tem o hábito dos presidentes democráticos de dar coletivas. Faz seus monólogos em solenidades, se deixa atropelar às vezes por microfones, em algum evento, onde só responde o que quer. Foi o único chefe de Estado a não receber a imprensa de seu país em Copenhague. No fim do ano, toma o café da manhã com jornalistas em ambiente que lhe favorece.
O clima, nestes cafés da manhã, o deixa à vontade. Muitos convidados na mesa em U. Ninguém pode insistir numa questão para não ser descortês com os colegas e parecer monopolizar a conversa. Não há muito espaço para o contraditório. Assim, ele discorre sobre o que quer, sem riscos.
No ano em que o governo mais gastou dinheiro do contribuinte para salvar empresas e transferir recursos para empresários, ele fugiu do tema. O governo até agora não disse quanto custou a conta. Quantos bilhões de impostos não foram pagos por produtores de carros, de bens de consumo duráveis? Quanto custou ao BNDES ter resgatado empresas que se encrencaram sozinhas na especulação cambial? Quanto custou ao Banco do Brasil seus empréstimos de emergências a empresas como a Sadia? Quanto se transferiu para grandes grupos nacionais e estrangeiros em nome do aumento do consumo da população? Uma reunião assim de fim de ano é uma boa oportunidade para que a Presidência faça uma prestação de contas séria. Mas para isso teria que ser uma Presidência que entende que prestar contas é uma obrigação, e a imprensa, um dos canais.
Lula disse que “inflação é coisa séria” e que “o controle da inflação é coisa da qual não abdicaremos”, mas, ao mesmo tempo, disse que não acha necessário elevar o superávit primário, defende aumento de gastos com funcionários, faz populismo com os aposentados, e diz que se o governo tem capacidade de endividamento deve usar.
Tudo junto é uma contradição ambulante. O governo este ano gastou demais, em subsídios pouco transparentes aos empresários, elevou fortemente o gasto com funcionários em plena queda de arrecadação, reduziu o superávit primário e acha que defendeu a inflação.
Na verdade, o governo Lula foi herdeiro da superação do pior problema brasileiro no final do século XX. Herdou sem merecer, porque foi, quando oposição, adversário de cada uma das etapas do controle inflacionário. Hoje, ele se apropria desse patrimônio. Por nunca ter entendido exatamente como se formam os riscos inflacionários, o governo Lula está minando as bases da estabilidade. E este ano de 2009 foi um exemplo disso.
O país saiu da recessão com a ajuda dos gastos públicos e porque o mundo ajudou, saindo também da recessão. Gastos públicos são o remédio num caso assim, mas o governo não demonstrou ter noção dos riscos de médio e longo prazo de um gasto corrente que cresce acima do PIB, com despesas de custeio em alta e investimento baixo.
O controle da inflação tem recaído sobre o Banco Central, e pelo uso da mais perversa das armas: a taxa de juros. Assim, se encarece a dívida do governo que já está aumentando pela elevação do gasto público.
Lula negou, durante o café da manhã, que vá ocorrer mudança na economia: “É difícil mudar o que está dando certo. Só se pode aperfeiçoar. O governo (Dilma) vai ser a continuidade do aperfeiçoamento. Dilma tem juízo político e econômico. Não rasga nota.”
A resposta já mostra que o presidente foi para o encontro para fazer dele mais um palanque para a sua candidata e não para uma prestação de contas. A verdade é que o estatismo, do qual Dilma é a maior defensora dentro do governo, é uma ameaça concreta à estabilidade e ao projeto que nos trouxe a inflação baixa. O estatismo, o gasto sem controle, os subsídios escondidos atrás da derrama do BNDES são uma forma de rasgar nota, de ameaçar o que foi conquistado em anos anteriores aos do governo Lula.
Lula disse que a proposta do pré-sal atende a todos. A proposta do pré-sal concentra a receita na União, expropria estados produtores, divide a Federação jogando estados contra estados, transfere patrimônio indevidamente à Petrobras, dá poderes regulatórios a uma nova estatal e descarna o órgão regulador. Durante a tarde, em um dos seus monólogos, ele disse no Rio que seus antecessores nos últimos 50 anos abandonaram o estado. Ele estaria fazendo o oposto. Não deve estar lembrando que da sua base política saiu uma proposta que tira do estado do Rio R$ 10 bilhões. O governo Lula chega ao seu último ano sem ter entendido a diferença entre prestar contas e fazer propaganda."
Do blog da autora.
14.12.09
Carlos Alberto Sardenberg
"Boi verde, boi criminoso
Não é exagero dizer que o agronegócio salvou o Brasil. Ao gerar superávits comerciais de US$ 40 bilhões/ano, deixou aqui uma sobra de dólares que foram comprados pelo governo e incorporados às reservas do Banco Central. Isso permitiu ao Brasil superar o velho problema do financiamento da dívida externa. Se não fossem as reservas, em grande parte geradas pelo agronegócio, repito, o Brasil teria quebrado nesta última crise. E quebrado, no caso, significaria recessão, eliminação muito maior de empregos, perda de renda e aumento da pobreza.
Além disso, o agronegócio puxou negócios em toda a economia brasileira. Forneceu alimentos, especialmente a proteína da carne, para populações brasileira e no mundo todo. Ou seja, há razões para dizer que o agronegócio brasileiro é um caso de sucesso.
Há algum tempo era também um sucesso ambiental. Foi no período da vaca louca, doença adquirida por animais confinados e alimentados com rações. Na ocasião, o boi brasileiro ganhou status de boi verde, duplamente saudável. Primeiro, porque só comia grama e, segundo, porque crescia caminhando pelos pastos, sendo mais musculoso e menos gordo.
Hoje o Brasil é o maior exportador mundial de carnes e um dos maiores em alimentos em geral. E o agronegócio tornou-se alvo preferencial de boa parte dos ambientalistas, internacionais e nacionais.
Acusações: as pastagens estão no lugar de matas nativas e parte delas se fez com o desmatamento da Amazônia; a atividade é poluente, ao usar máquinas e veículos motorizados, queimando petróleo, fertilizantes, adubos; e o boi e a vaca emitem gases metano com seus arrotos e puns.
Mas o problema maior parece ser a Amazônia, já que todas as pastagens e toda a agricultura do mundo estão no lugar de matas nativas e já que o boi arrota igual em todo mundo. Toda agricultura é uma intervenção na natureza.
O problema na Amazônia é real. Há pecuaristas e assentados da reforma agrária que derrubam árvores para criar bois. Mas há também grileiros e índios que derrubam árvores para vender como madeira. Tudo ilegal e, não raro, violento.
É certo que isso não pode continuar e que o objetivo de desmatamento zero é um bom objetivo. Mas isso não pode condenar a pecuária como um todo, que tem no Brasil graus de eficiência elevada em várias regiões.
Além disso, qual é a ambição, justa, dos povos mais pobres? Ter, por exemplo, um consumo de proteína nos níveis do Primeiro Mundo, com o que serão mais saudáveis, morrerão menos, viverão mais, serão mais altos e... mais gordos. Ou seja, o mundo precisa e quer mais carne - e, especialmente, quer carne barata, como é a brasileira.
Dizer que a carne brasileira seria a mais cara do mundo se incorporasse no seu preço os custos ambientais é um argumento duvidoso. Porque aí seria preciso incorporar esses custos em toda a atividade econômica. Assim, quanto custaria uma passagem de avião Rio-São Paulo? Qual o custo ambiental num aparelho de TV? Num celular? E, nessa sequência, esses produtos seriam acessíveis apenas aos mais ricos.
O.k., há tecnologia para produzir mais carne em menos espaço, no caso brasileiro, nas pastagens já existentes, e com bois e vacas que arrotem menos e soltem menos puns. Mas essa tecnologia precisa ser desenvolvida e implantada, o que custa dinheiro. É preciso financiar essas inovações tecnológicas.
Há teses segundo as quais o esforço de aumentar a produção é inútil, pois não haveria condições de produzir carne para uma humanidade em expansão. Ou, mais amplamente, que a Terra não suporta uma população crescente, com ambições de ter padrões de consumo semelhantes aos do Primeiro Mundo.
Se isso for verdade, qual a consequência? Que os povos mais pobres terão de abrir mão de aumentar seu consumo de tudo, de carnes a celulares e automóveis. Com isso, e convencendo-se os mais ricos a reduzir seu padrão, a coisa estaria resolvida. Agora, quem vai dizer para os pobres que eles não podem comer carne nem ter carro?
Estou fazendo caricatura? Pode ser, mas o ponto é este: precisamos de uma economia mais limpa, sem dúvida, não podemos mais desmatar a Amazônia, mas também precisamos aumentar a produção de alimentos e de bens de consumo.
Não adiantará nada ter uma economia limpa que não forneça alimentos e conforto aos povos. A transição para a economia limpa é, pois, extremamente complexa, porque é preciso manter um tipo de produção atual enquanto se criam e aplicam novas modalidades.
Por que ninguém propõe uma regra mundial do tipo: só se pode vender carro elétrico daqui em diante? Porque seria uma coisa acessível apenas aos mais ricos, exatamente esses que estão bem e cujo nível de consumo deixou poluição por toda parte. E porque os chineses e indianos, para não falar dos brasileiros, continuariam a fazer os seus carrinhos a gasolina ou coisa pior.
Resumindo: o mundo inventou a agricultura, domesticou e criou os novos bois e porcos, aumentou extraordinariamente a produção de alimentos mais baratos, eliminou a fome para bilhões de pessoas. Criou o conforto da sociedade de consumo e... destruiu ambientes, e parte da humanidade ficou rica com isso, outra parte está na classe média e outra continua pobre. E agora?
Concordo com o que disse a revista The Economist: mesmo que haja dúvidas quanto ao processo de aquecimento global, vale a pena combatê-lo no mínimo como um seguro. Mesmo que os céticos tenham razão, ainda assim existiria uma possibilidade de que não tivessem, de modo que seria muito risco não fazer nada desde já.
Agora, seguros são caros e complexos - e não podem ser tão caros que inviabilizem o bem segurado.
Em tempo: não é a primeira vez que cientistas dizem que faltarão alimentos.
Carlos Alberto Sardenberg é jornalista
Site: www.sardenberg.com.br "
Do Estado de São Paulo - Rede Pró-Brasil.
"Boi verde, boi criminoso
Não é exagero dizer que o agronegócio salvou o Brasil. Ao gerar superávits comerciais de US$ 40 bilhões/ano, deixou aqui uma sobra de dólares que foram comprados pelo governo e incorporados às reservas do Banco Central. Isso permitiu ao Brasil superar o velho problema do financiamento da dívida externa. Se não fossem as reservas, em grande parte geradas pelo agronegócio, repito, o Brasil teria quebrado nesta última crise. E quebrado, no caso, significaria recessão, eliminação muito maior de empregos, perda de renda e aumento da pobreza.
Além disso, o agronegócio puxou negócios em toda a economia brasileira. Forneceu alimentos, especialmente a proteína da carne, para populações brasileira e no mundo todo. Ou seja, há razões para dizer que o agronegócio brasileiro é um caso de sucesso.
Há algum tempo era também um sucesso ambiental. Foi no período da vaca louca, doença adquirida por animais confinados e alimentados com rações. Na ocasião, o boi brasileiro ganhou status de boi verde, duplamente saudável. Primeiro, porque só comia grama e, segundo, porque crescia caminhando pelos pastos, sendo mais musculoso e menos gordo.
Hoje o Brasil é o maior exportador mundial de carnes e um dos maiores em alimentos em geral. E o agronegócio tornou-se alvo preferencial de boa parte dos ambientalistas, internacionais e nacionais.
Acusações: as pastagens estão no lugar de matas nativas e parte delas se fez com o desmatamento da Amazônia; a atividade é poluente, ao usar máquinas e veículos motorizados, queimando petróleo, fertilizantes, adubos; e o boi e a vaca emitem gases metano com seus arrotos e puns.
Mas o problema maior parece ser a Amazônia, já que todas as pastagens e toda a agricultura do mundo estão no lugar de matas nativas e já que o boi arrota igual em todo mundo. Toda agricultura é uma intervenção na natureza.
O problema na Amazônia é real. Há pecuaristas e assentados da reforma agrária que derrubam árvores para criar bois. Mas há também grileiros e índios que derrubam árvores para vender como madeira. Tudo ilegal e, não raro, violento.
É certo que isso não pode continuar e que o objetivo de desmatamento zero é um bom objetivo. Mas isso não pode condenar a pecuária como um todo, que tem no Brasil graus de eficiência elevada em várias regiões.
Além disso, qual é a ambição, justa, dos povos mais pobres? Ter, por exemplo, um consumo de proteína nos níveis do Primeiro Mundo, com o que serão mais saudáveis, morrerão menos, viverão mais, serão mais altos e... mais gordos. Ou seja, o mundo precisa e quer mais carne - e, especialmente, quer carne barata, como é a brasileira.
Dizer que a carne brasileira seria a mais cara do mundo se incorporasse no seu preço os custos ambientais é um argumento duvidoso. Porque aí seria preciso incorporar esses custos em toda a atividade econômica. Assim, quanto custaria uma passagem de avião Rio-São Paulo? Qual o custo ambiental num aparelho de TV? Num celular? E, nessa sequência, esses produtos seriam acessíveis apenas aos mais ricos.
O.k., há tecnologia para produzir mais carne em menos espaço, no caso brasileiro, nas pastagens já existentes, e com bois e vacas que arrotem menos e soltem menos puns. Mas essa tecnologia precisa ser desenvolvida e implantada, o que custa dinheiro. É preciso financiar essas inovações tecnológicas.
Há teses segundo as quais o esforço de aumentar a produção é inútil, pois não haveria condições de produzir carne para uma humanidade em expansão. Ou, mais amplamente, que a Terra não suporta uma população crescente, com ambições de ter padrões de consumo semelhantes aos do Primeiro Mundo.
Se isso for verdade, qual a consequência? Que os povos mais pobres terão de abrir mão de aumentar seu consumo de tudo, de carnes a celulares e automóveis. Com isso, e convencendo-se os mais ricos a reduzir seu padrão, a coisa estaria resolvida. Agora, quem vai dizer para os pobres que eles não podem comer carne nem ter carro?
Estou fazendo caricatura? Pode ser, mas o ponto é este: precisamos de uma economia mais limpa, sem dúvida, não podemos mais desmatar a Amazônia, mas também precisamos aumentar a produção de alimentos e de bens de consumo.
Não adiantará nada ter uma economia limpa que não forneça alimentos e conforto aos povos. A transição para a economia limpa é, pois, extremamente complexa, porque é preciso manter um tipo de produção atual enquanto se criam e aplicam novas modalidades.
Por que ninguém propõe uma regra mundial do tipo: só se pode vender carro elétrico daqui em diante? Porque seria uma coisa acessível apenas aos mais ricos, exatamente esses que estão bem e cujo nível de consumo deixou poluição por toda parte. E porque os chineses e indianos, para não falar dos brasileiros, continuariam a fazer os seus carrinhos a gasolina ou coisa pior.
Resumindo: o mundo inventou a agricultura, domesticou e criou os novos bois e porcos, aumentou extraordinariamente a produção de alimentos mais baratos, eliminou a fome para bilhões de pessoas. Criou o conforto da sociedade de consumo e... destruiu ambientes, e parte da humanidade ficou rica com isso, outra parte está na classe média e outra continua pobre. E agora?
Concordo com o que disse a revista The Economist: mesmo que haja dúvidas quanto ao processo de aquecimento global, vale a pena combatê-lo no mínimo como um seguro. Mesmo que os céticos tenham razão, ainda assim existiria uma possibilidade de que não tivessem, de modo que seria muito risco não fazer nada desde já.
Agora, seguros são caros e complexos - e não podem ser tão caros que inviabilizem o bem segurado.
Em tempo: não é a primeira vez que cientistas dizem que faltarão alimentos.
Carlos Alberto Sardenberg é jornalista
Site: www.sardenberg.com.br "
Do Estado de São Paulo - Rede Pró-Brasil.
13.12.09
Reconhecimento social do crime?
"Conquistar meninas, ter poder na comunidade e ostentar armas. Reportagem de Cláudio Motta publicada na edição deste domingo do Globo mostra que depois de sete meses de entrevistas, pesquisadores constataram que o maior fator de atração dos jovens para o crime é o reconhecimento social. A conclusão é da pesquisa inédita "Meninos do Rio: jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas", promovida pelo Unicef e coordenada pela cientista social Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Criminalidade e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes. O trabalho será lançado no próximo dia 21, com o objetivo de explicar as razões pelas quais os jovens entram no crime, além dos motivos alegados para sair da criminalidade. ( Vídeo: "Fazer parte da sociedade é emocionante, diz jovem" )
De acordo com a pesquisadora, mitos sobre as razões do envolvimento de rapazes com traficantes estão caindo. Roubar para comprar um tênis, porque a família é desestruturada ou para compensar sua pobreza não foram os principais motivos apontados. Além disso, os entrevistados revelaram que os rendimentos do tráfico vêm caindo. Muitas vezes, um traficante fica uma semana sem receber. Quando há o boato de que uma Unidade de Polícia Pacificadora será implantada na favela, tende a aumentar a procura de emprego pelos jovens.
- Por que entram para um negócio tão ruim, que maltrata tanto, é tão perigoso? Porque ainda há um apelo simbólico. As meninas reconhecem os bandidos, têm essa questão da sexualidade, que foi um tema não previsto, mas que se impôs à pesquisa - diz Sílvia Ramos.
Outro fator importante para atrair jovens de comunidades para a ilegalidade, de acordo com a pesquisa, é a proximidade com os bandidos que controlam os locais onde eles crescem. O gestor de programas do Unicef no Rio, Jacques Schwarzstein, salienta que a pesquisa revela a importância de uma abordagem individual do problema e de se evitar estereótipos:
- As razões ditas são sempre socioeconômicas: o jovem entra no tráfico para comprar um tênis. Essa explicação é simplória. Evidentemente, o tênis é um objeto de desejo, mas, para um adolescente optar pelo tráfico, há um conjunto de fatores certamente muito mais complexos do que o tênis na vitrine.
Foram entrevistadas formalmente 104 pessoas. Além disso, uma pesquisa quantitativa foi realizada com a participação de 14 jovens, que entrevistaram 241 rapazes e moças de 14 a 29 anos no Complexo do Alemão e na Zona Oeste. Para Sílvia Ramos, é necessário complementar o trabalho, fazendo uma abordagem semelhante, mas focada em jovens de classe média.
Leia a reportagem completa na Edição Digital do Globo (somente para assinantes).
Do O Globo.
--------------------
Acredite se quiser.
"Conquistar meninas, ter poder na comunidade e ostentar armas. Reportagem de Cláudio Motta publicada na edição deste domingo do Globo mostra que depois de sete meses de entrevistas, pesquisadores constataram que o maior fator de atração dos jovens para o crime é o reconhecimento social. A conclusão é da pesquisa inédita "Meninos do Rio: jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas", promovida pelo Unicef e coordenada pela cientista social Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Criminalidade e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes. O trabalho será lançado no próximo dia 21, com o objetivo de explicar as razões pelas quais os jovens entram no crime, além dos motivos alegados para sair da criminalidade. ( Vídeo: "Fazer parte da sociedade é emocionante, diz jovem" )
De acordo com a pesquisadora, mitos sobre as razões do envolvimento de rapazes com traficantes estão caindo. Roubar para comprar um tênis, porque a família é desestruturada ou para compensar sua pobreza não foram os principais motivos apontados. Além disso, os entrevistados revelaram que os rendimentos do tráfico vêm caindo. Muitas vezes, um traficante fica uma semana sem receber. Quando há o boato de que uma Unidade de Polícia Pacificadora será implantada na favela, tende a aumentar a procura de emprego pelos jovens.
- Por que entram para um negócio tão ruim, que maltrata tanto, é tão perigoso? Porque ainda há um apelo simbólico. As meninas reconhecem os bandidos, têm essa questão da sexualidade, que foi um tema não previsto, mas que se impôs à pesquisa - diz Sílvia Ramos.
Outro fator importante para atrair jovens de comunidades para a ilegalidade, de acordo com a pesquisa, é a proximidade com os bandidos que controlam os locais onde eles crescem. O gestor de programas do Unicef no Rio, Jacques Schwarzstein, salienta que a pesquisa revela a importância de uma abordagem individual do problema e de se evitar estereótipos:
- As razões ditas são sempre socioeconômicas: o jovem entra no tráfico para comprar um tênis. Essa explicação é simplória. Evidentemente, o tênis é um objeto de desejo, mas, para um adolescente optar pelo tráfico, há um conjunto de fatores certamente muito mais complexos do que o tênis na vitrine.
Foram entrevistadas formalmente 104 pessoas. Além disso, uma pesquisa quantitativa foi realizada com a participação de 14 jovens, que entrevistaram 241 rapazes e moças de 14 a 29 anos no Complexo do Alemão e na Zona Oeste. Para Sílvia Ramos, é necessário complementar o trabalho, fazendo uma abordagem semelhante, mas focada em jovens de classe média.
Leia a reportagem completa na Edição Digital do Globo (somente para assinantes).
Do O Globo.
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Acredite se quiser.
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O crime como opção de vida
12.12.09
Dora Kramer
"Liturgia do chulo
Quando o presidente da República se dá ao desfrute de falar palavrão em cerimônia oficial, quase nada de inédito resta para ser visto e ouvido. Assim que pronunciou o termo - dos mais comuns, diga-se, usado como sinônimo de sorte no teatro e inadequadamente incorporado à linguagem escrita em jornais e revistas -, o presidente Luiz Inácio da Silva percebeu a grosseria.
É lógico que eu falei um palavrão aqui. Amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão.
Porém, como de hábito, o presidente não se deu por achado. Mas eu tenho consciência de que eles falam mais palavrão do que eu todos os dias. Tenho consciência de como é que vive o povo pobre deste país, emendou ao molde do velho truque de dizer que faz o que todo mundo faz e justificar exorbitâncias verbais pela representação de identidade social nelas contidas.
Se fala errado é porque vem do povo que assim também se expressa. Se é grosseiro, isso resulta da indignação com as condições em que vive o povo. Se ofende, é sua maneira de se defender do preconceito das elites.
Aceito o critério, torna-se aceitável também que o presidente dê vazão a seus impulsos e rebaixe cada vez mais o palavreado para se juntar ao povo. Lá embaixo, onde, por esse raciocínio, é o lugar do povo.
Notadamente em Estados como o Maranhão, onde o presidente Lula oficializou a introdução do uso da palavra chula na liturgia do cargo e a elite dominante mantém há décadas o povo na convivência dos piores índices de (sub)desenvolvimento social do País.
São tantos os absurdos ditos por Lula que nada mais que o presidente diga soa assim tão absurdo. Se amanhã ou depois ele resolver usar palavras mais pesadas, dirão que o fez em razão de seu crescente grau de indignação.
E talvez seja aplaudido por isso, como ocorreu na cerimônia no Maranhão. Muito possivelmente sob o argumento de que tudo é permitido a quem internamente é aprovado por mais de 80% da população e externamente é escolhido personagem do ano pelo jornal El País, um dos melhores e mais respeitados do mundo.
Se à maioria assim parece, que seja. Apenas causa algum desconforto que a lógica não seja a oposta: exatamente por contar com alta popularidade e prestígio internacional é que o presidente poderia aprimorar no lugar de deteriorar sua conduta e linguajar.
Usar esse capital fenomenal para elevar, não rebaixar, o nível geral. A começar, por exemplo, por conferir qualidade à indignação com as condições de vida do povo.
Do que vale uma frase de efeito ante a realidade de celebração da família Sarney, dona do Maranhão, com tentáculos no Amapá, ambos entre os cinco piores Estados no índice de desenvolvimento dos municípios medido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, em 2008?
O Maranhão é o campeão do ranking e o Amapá fica em quarto lugar. Nenhum reparo, ao contrário, é feito sobre a participação da família por Lula tão festejada na manutenção do povo daqueles Estados na condição definida pelo presidente com uma palavra chula para expressar uma aversão que verdadeiramente não sente.
Donde a grosseria é puramente gratuita.
Retrocesso
A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal se apegou ao aspecto técnico para negar a suspensão da proibição ao jornal O Estado de S.Paulo publicar informações sobre a operação da Polícia Federal que investiga Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.
Como disse ontem o pai do investigado, decisão do Supremo, respeita-se, não obstante o Senado tenha recentemente tentado resistir ao cumprimento da decisão do STF de cassar o mandato do senador Expedito Júnior.
Mas fato é que, no conceito, o resultado do julgamento do Supremo imprime um caráter relativo à liberdade de imprensa consagrada na Constituição como valor absoluto.
Afirmou com propriedade do ministro Celso de Mello: O poder de cautela é o novo nome da censura no nosso país.
Fica consagrado o preceito defendido pelo ministro Eros Grau de que a aplicação da lei não é censura e que qualquer juiz, por qualquer motivação, tem nas mãos o poder de subtrair do cidadão o direito à informação.
Quando a ditadura vigia, pautava-se também por suas leis de exceção sustentando sua legitimidade na legalidade da ocasião.
Jogada ensaiada
Ao adiar por oito dias a decisão de expulsar o governador José Roberto Arruda de suas fileiras, o DEM conferiu ao correligionário a prerrogativa da saída honrosa. Por algum motivo o partido perdeu deliberadamente a chance de fazer um gesto forte. Alegou receio de reação jurídica por parte de Arruda, preferindo ignorar que o caso, no âmbito partidário, é político e o prejuízo da hesitação ficou com o DEM, que ainda tinha algo a perder: o poder da iniciativa."
Do Jornal Cruzeiro do Sul.
"Liturgia do chulo
Quando o presidente da República se dá ao desfrute de falar palavrão em cerimônia oficial, quase nada de inédito resta para ser visto e ouvido. Assim que pronunciou o termo - dos mais comuns, diga-se, usado como sinônimo de sorte no teatro e inadequadamente incorporado à linguagem escrita em jornais e revistas -, o presidente Luiz Inácio da Silva percebeu a grosseria.
É lógico que eu falei um palavrão aqui. Amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão.
Porém, como de hábito, o presidente não se deu por achado. Mas eu tenho consciência de que eles falam mais palavrão do que eu todos os dias. Tenho consciência de como é que vive o povo pobre deste país, emendou ao molde do velho truque de dizer que faz o que todo mundo faz e justificar exorbitâncias verbais pela representação de identidade social nelas contidas.
Se fala errado é porque vem do povo que assim também se expressa. Se é grosseiro, isso resulta da indignação com as condições em que vive o povo. Se ofende, é sua maneira de se defender do preconceito das elites.
Aceito o critério, torna-se aceitável também que o presidente dê vazão a seus impulsos e rebaixe cada vez mais o palavreado para se juntar ao povo. Lá embaixo, onde, por esse raciocínio, é o lugar do povo.
Notadamente em Estados como o Maranhão, onde o presidente Lula oficializou a introdução do uso da palavra chula na liturgia do cargo e a elite dominante mantém há décadas o povo na convivência dos piores índices de (sub)desenvolvimento social do País.
São tantos os absurdos ditos por Lula que nada mais que o presidente diga soa assim tão absurdo. Se amanhã ou depois ele resolver usar palavras mais pesadas, dirão que o fez em razão de seu crescente grau de indignação.
E talvez seja aplaudido por isso, como ocorreu na cerimônia no Maranhão. Muito possivelmente sob o argumento de que tudo é permitido a quem internamente é aprovado por mais de 80% da população e externamente é escolhido personagem do ano pelo jornal El País, um dos melhores e mais respeitados do mundo.
Se à maioria assim parece, que seja. Apenas causa algum desconforto que a lógica não seja a oposta: exatamente por contar com alta popularidade e prestígio internacional é que o presidente poderia aprimorar no lugar de deteriorar sua conduta e linguajar.
Usar esse capital fenomenal para elevar, não rebaixar, o nível geral. A começar, por exemplo, por conferir qualidade à indignação com as condições de vida do povo.
Do que vale uma frase de efeito ante a realidade de celebração da família Sarney, dona do Maranhão, com tentáculos no Amapá, ambos entre os cinco piores Estados no índice de desenvolvimento dos municípios medido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, em 2008?
O Maranhão é o campeão do ranking e o Amapá fica em quarto lugar. Nenhum reparo, ao contrário, é feito sobre a participação da família por Lula tão festejada na manutenção do povo daqueles Estados na condição definida pelo presidente com uma palavra chula para expressar uma aversão que verdadeiramente não sente.
Donde a grosseria é puramente gratuita.
Retrocesso
A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal se apegou ao aspecto técnico para negar a suspensão da proibição ao jornal O Estado de S.Paulo publicar informações sobre a operação da Polícia Federal que investiga Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.
Como disse ontem o pai do investigado, decisão do Supremo, respeita-se, não obstante o Senado tenha recentemente tentado resistir ao cumprimento da decisão do STF de cassar o mandato do senador Expedito Júnior.
Mas fato é que, no conceito, o resultado do julgamento do Supremo imprime um caráter relativo à liberdade de imprensa consagrada na Constituição como valor absoluto.
Afirmou com propriedade do ministro Celso de Mello: O poder de cautela é o novo nome da censura no nosso país.
Fica consagrado o preceito defendido pelo ministro Eros Grau de que a aplicação da lei não é censura e que qualquer juiz, por qualquer motivação, tem nas mãos o poder de subtrair do cidadão o direito à informação.
Quando a ditadura vigia, pautava-se também por suas leis de exceção sustentando sua legitimidade na legalidade da ocasião.
Jogada ensaiada
Ao adiar por oito dias a decisão de expulsar o governador José Roberto Arruda de suas fileiras, o DEM conferiu ao correligionário a prerrogativa da saída honrosa. Por algum motivo o partido perdeu deliberadamente a chance de fazer um gesto forte. Alegou receio de reação jurídica por parte de Arruda, preferindo ignorar que o caso, no âmbito partidário, é político e o prejuízo da hesitação ficou com o DEM, que ainda tinha algo a perder: o poder da iniciativa."
Do Jornal Cruzeiro do Sul.
10.12.09
Editorial d'O Estado de São Paulo
"Mercosul, palanque para Chávez
Os otimistas erraram mais uma vez. Esperavam apenas uma reunião inútil, com pauta medíocre, nenhuma decisão importante e nenhum problema resolvido, mas a 38ª Conferência de Cúpula do Mercosul, na terça-feira, em Montevidéu, foi pior que isso. Terminou como sessão de circo mambembe, com um longo e ominoso discurso do presidente Hugo Chávez e com uma declaração de repúdio às eleições em Honduras, assinada pelos presidentes dos quatro países sócios do bloco, mais o líder bolivariano. Serviu, além disso, para se dar sobrevida a uma aberração, a lista de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC). Vai durar mais um ano, até o fim de 2011. A prorrogação foi proposta pela presidente argentina, Cristina Kirchner, e de novo o presidente Lula baixou a cabeça, embora a decisão contrariasse posição explícita do governo brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o encontro para prometer ao colega Chávez a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul. Com um dia de antecedência, arriscou-se a anunciar o resultado da votação final no Senado, prevista para ontem. O presidente da Venezuela cobrou a aprovação também pelo Congresso do Paraguai. Os parlamentares argentinos e uruguaios já haviam admitido a entrada do quinto sócio.
Contrariando seus hábitos, Lula falou pouco - um discurso de apenas 10 minutos de duração. Chávez, ainda na condição de convidado, foi fiel a seus padrões. Falou durante 25 minutos e não tratou de um só tema relevante para o Mercosul. Voltou a criticar o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos e mencionou sinais de movimentação em bases de Curaçau e de Aruba. Acusou o governo americano de pretender declarar guerra a toda a América do Sul. O presidente Barack Obama, acrescentou, não foi lento nem preguiçoso em recorrer às políticas do passado, contrariando a promessa de mudanças. Falou sobre a situação de Honduras, dissertou sobre o risco de golpes na região e mencionou, aparentemente brincando, a hipótese de ter de pedir abrigo na Embaixada do Brasil, como fez o deposto Manuel Zelaya em seu retorno clandestino a Tegucigalpa.
O presidente da Venezuela comprovou mais uma vez, nesses 25 minutos, a sensatez dos opositores de seu ingresso no Mercosul. Nunca se fez oposição à admissão do Estado venezuelano, mas sim à participação de um governante como Chávez nas deliberações do bloco. O discurso foi mais uma demonstração do real objetivo de sua política regional: criar uma plataforma para a realização de suas ambições e um palanque para seus comícios. A vocação autoritária do líder bolivariano requer a criação de inimigos externos, como Estados Unidos e Colômbia, e o envolvimento do Mercosul em suas manobras foi sempre uma intenção evidente de Chávez.
Em seu discurso, o presidente Lula defendeu a admissão da Venezuela como forma de agregar escala e complementaridade à economia do Mercosul. Mas argumentos desse tipo são frágeis, quando, com a ampliação, o bloco sujeitará suas deliberações ao poder de veto de Hugo Chávez e passará a ser usado para os fins de uma política exterior agressiva e desagregadora.
Tudo isso o próprio Chávez já demonstrara mais de uma vez, ao participar de reuniões do Mercosul como convidado. Ao criar a Alba, sua alternativa bolivariana, o presidente da Venezuela formou um Exército Brancaleone, apenas suficiente para emoldurar sua liderança agressiva.
O Mercosul atual pode servir aos propósitos políticos de Chávez, mas não aos interesses da economia brasileira. Não funciona sequer como zona de livre comércio e é obstáculo a uma inserção mais efetiva no mercado global. A reunião de Montevidéu serviu para novas cobranças ao governo brasileiro. A presidente Cristina Kirchner, secundada pelo colega paraguaio, defendeu indiretamente sua política protecionista, situou a Argentina entre as economias menores e cobrou iniciativas do Brasil para corrigir as famigeradas assimetrias. Não mencionou, naturalmente, o baixo empenho da indústria argentina em investir e ganhar competitividade.
O presidente Lula, como sempre, ficou calado. Quando chegar a hora de agir, cederá mais uma vez. É a sua forma de pagar por uma liderança imaginária. A contrapartida nunca apareceu."
Do site Rede Pró-Brasil.
"Mercosul, palanque para Chávez
Os otimistas erraram mais uma vez. Esperavam apenas uma reunião inútil, com pauta medíocre, nenhuma decisão importante e nenhum problema resolvido, mas a 38ª Conferência de Cúpula do Mercosul, na terça-feira, em Montevidéu, foi pior que isso. Terminou como sessão de circo mambembe, com um longo e ominoso discurso do presidente Hugo Chávez e com uma declaração de repúdio às eleições em Honduras, assinada pelos presidentes dos quatro países sócios do bloco, mais o líder bolivariano. Serviu, além disso, para se dar sobrevida a uma aberração, a lista de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC). Vai durar mais um ano, até o fim de 2011. A prorrogação foi proposta pela presidente argentina, Cristina Kirchner, e de novo o presidente Lula baixou a cabeça, embora a decisão contrariasse posição explícita do governo brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o encontro para prometer ao colega Chávez a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul. Com um dia de antecedência, arriscou-se a anunciar o resultado da votação final no Senado, prevista para ontem. O presidente da Venezuela cobrou a aprovação também pelo Congresso do Paraguai. Os parlamentares argentinos e uruguaios já haviam admitido a entrada do quinto sócio.
Contrariando seus hábitos, Lula falou pouco - um discurso de apenas 10 minutos de duração. Chávez, ainda na condição de convidado, foi fiel a seus padrões. Falou durante 25 minutos e não tratou de um só tema relevante para o Mercosul. Voltou a criticar o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos e mencionou sinais de movimentação em bases de Curaçau e de Aruba. Acusou o governo americano de pretender declarar guerra a toda a América do Sul. O presidente Barack Obama, acrescentou, não foi lento nem preguiçoso em recorrer às políticas do passado, contrariando a promessa de mudanças. Falou sobre a situação de Honduras, dissertou sobre o risco de golpes na região e mencionou, aparentemente brincando, a hipótese de ter de pedir abrigo na Embaixada do Brasil, como fez o deposto Manuel Zelaya em seu retorno clandestino a Tegucigalpa.
O presidente da Venezuela comprovou mais uma vez, nesses 25 minutos, a sensatez dos opositores de seu ingresso no Mercosul. Nunca se fez oposição à admissão do Estado venezuelano, mas sim à participação de um governante como Chávez nas deliberações do bloco. O discurso foi mais uma demonstração do real objetivo de sua política regional: criar uma plataforma para a realização de suas ambições e um palanque para seus comícios. A vocação autoritária do líder bolivariano requer a criação de inimigos externos, como Estados Unidos e Colômbia, e o envolvimento do Mercosul em suas manobras foi sempre uma intenção evidente de Chávez.
Em seu discurso, o presidente Lula defendeu a admissão da Venezuela como forma de agregar escala e complementaridade à economia do Mercosul. Mas argumentos desse tipo são frágeis, quando, com a ampliação, o bloco sujeitará suas deliberações ao poder de veto de Hugo Chávez e passará a ser usado para os fins de uma política exterior agressiva e desagregadora.
Tudo isso o próprio Chávez já demonstrara mais de uma vez, ao participar de reuniões do Mercosul como convidado. Ao criar a Alba, sua alternativa bolivariana, o presidente da Venezuela formou um Exército Brancaleone, apenas suficiente para emoldurar sua liderança agressiva.
O Mercosul atual pode servir aos propósitos políticos de Chávez, mas não aos interesses da economia brasileira. Não funciona sequer como zona de livre comércio e é obstáculo a uma inserção mais efetiva no mercado global. A reunião de Montevidéu serviu para novas cobranças ao governo brasileiro. A presidente Cristina Kirchner, secundada pelo colega paraguaio, defendeu indiretamente sua política protecionista, situou a Argentina entre as economias menores e cobrou iniciativas do Brasil para corrigir as famigeradas assimetrias. Não mencionou, naturalmente, o baixo empenho da indústria argentina em investir e ganhar competitividade.
O presidente Lula, como sempre, ficou calado. Quando chegar a hora de agir, cederá mais uma vez. É a sua forma de pagar por uma liderança imaginária. A contrapartida nunca apareceu."
Do site Rede Pró-Brasil.
8.12.09
Direto do blog Reality is out there!
"O bom e velho "faça o que eu digo..."
Cúpula do clima terá 1,2 mil limusines e 140 jatos particulares
Mas, ao que parece, tem muita gente preocupada com o meio ambiente apenas no discurso. De acordo com o jornal inglês Telegraph, os mais de 30 mil participantes da cúpula vão produzir cerca de 41 mil toneladas de CO2 durante os 11 dias de duração do evento. É o equivalente à produção de uma cidade de 140 mil habitantes.
Parte desses poluentes serão emitidos nas viagens dos participantes para Copenhague. Estima-se que 140 jatos particulares pousarão no aeroporto da cidade durante o período. O número é tão grande que não haverá lugar para eles estacionarem. Muitos terão de seguir para outros aeroportos da região e só voltar à Dinamarca para buscar seus passageiros VIP.
As limusines que vão circular pelas ruas da capital dinamarquesa também são apontadas como vilãs do meio ambiente. De acordo com o jornal inglês, mais de 1,2 mil delas vão transportar os participantes. Apenas 5 dessas limusines são híbridas - ou seja, têm dois motores, um elétrico e um a combustão, o que ajuda a reduzir as emissões.
O jornal inglês lembra ainda que muitos dos mais de 30 mil participantes da cúpula não têm muito a fazer na cidade. Entre os convidados estão os atores Leonardo DiCaprio, Daryl Hannah, a modelo Helena Chritensen etc."
Acredite se quiser.
"O bom e velho "faça o que eu digo..."
Cúpula do clima terá 1,2 mil limusines e 140 jatos particulares
Mas, ao que parece, tem muita gente preocupada com o meio ambiente apenas no discurso. De acordo com o jornal inglês Telegraph, os mais de 30 mil participantes da cúpula vão produzir cerca de 41 mil toneladas de CO2 durante os 11 dias de duração do evento. É o equivalente à produção de uma cidade de 140 mil habitantes.
Parte desses poluentes serão emitidos nas viagens dos participantes para Copenhague. Estima-se que 140 jatos particulares pousarão no aeroporto da cidade durante o período. O número é tão grande que não haverá lugar para eles estacionarem. Muitos terão de seguir para outros aeroportos da região e só voltar à Dinamarca para buscar seus passageiros VIP.
As limusines que vão circular pelas ruas da capital dinamarquesa também são apontadas como vilãs do meio ambiente. De acordo com o jornal inglês, mais de 1,2 mil delas vão transportar os participantes. Apenas 5 dessas limusines são híbridas - ou seja, têm dois motores, um elétrico e um a combustão, o que ajuda a reduzir as emissões.
O jornal inglês lembra ainda que muitos dos mais de 30 mil participantes da cúpula não têm muito a fazer na cidade. Entre os convidados estão os atores Leonardo DiCaprio, Daryl Hannah, a modelo Helena Chritensen etc."
Acredite se quiser.
5.12.09
Miriam Leitão
"Ele não fala por mim
O presidente Lula defendeu ontem, de novo, o programa nuclear iraniano. A defesa do Irã é tão gratuita que causa espanto. Por que defender o indefensável? Ele disse que os Estados Unidos e a Rússia não têm autoridade para criticar o Irã. Não foram apenas esses dois países que condenaram o programa iraniano. O mundo o condenou porque ele não tem nenhuma cara de ser pacífico.
Parte do raciocínio faz sentido, parte não faz. Quando defende o desarmamento nuclear de todos, Lula representa a maioria do povo brasileiro, a quem nunca interessou o desenvolvimento de armas nucleares. Mas não faz sentido é a defesa, extemporânea e gratuita, de um governo que se isola da comunidade internacional, que escondeu parte das suas instalações nucleares, que mentiu para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que admite que está enriquecendo urânio além do percentual necessário para produzir energia.
O que o Brasil ganha defendendo um país que na semana passada foi condenado na Agência Internacional de Energia Atômica? China e Rússia votaram contra o aliado. O Brasil se absteve. Nada pior do que a abstenção num caso que merece uma posição clara.
Após sete anos de improvisos catastróficos em viagens internacionais, o presidente Lula ainda não entendeu que ele, quando está representando o Brasil, não fala por si, mas pela nação inteira. Portanto, tem que expressar o sentimento coletivo e não seus impulsos. Não há qualquer clamor no Brasil de defesa do Irã, muito menos do governo Ahmadinejad. Pelo contrário. A esdrúxula negativa de fatos históricos como o holocausto torna o governante iraniano definitivamente divorciado do pensamento da maioria dos brasileiros. Quando as urnas iranianas exalavam ainda o mau cheiro das fraudes, o Brasil foi o primeiro país a dizer que a eleição dele foi legítima. Até o Conselho de Guardiões do Irã admitiu que houve em cinquenta cidades do país mais votos que eleitores. A repressão ao movimento popular que pedia eleições limpas matou cidadãos nas ruas, como a jovem Neda. Naquele momento de indignação em todo o mundo com o governo Ahmadinejad, o Brasil se apressou a dar o aval a eleições fraudulentas.
Com Honduras, ocorreu o oposto: o governo brasileiro condenou as eleições antes mesmo que elas tivessem acontecido. E já avisou que não reconheceria o novo governo.
No caso de Honduras e no caso do Irã, o que a política externa perde é o tom. Ser a favor do desarmamento nuclear o Brasil sempre foi. Mas sempre foi também contra a proliferação nuclear. E o Irã neste momento significa, na opinião das maiores autoridades no assunto reunidos na AIEA, o risco de proliferação nuclear. O mais estranho da declaração de Lula é que ela veio depois de ter sido divulgado um comunicado conjunto com a chanceler alemã Angela Merkel, admoestando o Irã a “responder positivamente” e “cooperar inteiramente” com a AIEA e a ONU. Isso sim é o correto e tira o Irã do isolamento.
No caso de Honduras, a posição defendida pelo presidente Lula, seu secretário de Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tem a mesma dubiedade. No princípio, foi no tom exato, depois, desafinou. Numa região devastada por golpes de Estado, o Brasil condenou o golpe e a deportação de Manuel Zelaya, no que fez bem. A posição brasileira começou a sair do tom quando deixou de ser a defesa dos princípios democráticos para ser uma militância zelaysta.
O Brasil condenou uma eleição, a priori, e avalizou outra, quando a população ainda estava na rua indignada com as fraudes.
No mensalão do DEM em Brasília, o presidente Lula só encontrou a palavra “deplorável” no segundo dia. No primeiro, disse: “as imagens não falam por si”. O presidente da República não pode préjulgar. Mas não condenar antecipadamente não é o mesmo que absolver. Tudo fala por si no escândalo de Brasília: as imagens, os diálogos gravados, as conversas telefônicas, as desculpas improvisadas e mutantes e a hesitação do Democratas. “Aquela despesa mensal com político sua hoje está em quanto?”, disse o governador de Brasília, José Roberto Arruda. Muita coisa está fora da ordem nessa frase além do pronome possessivo.
O presidente Lula poderia não ter se manifestado. Seria melhor. Mas sua forma de lidar com a imprensa é autoritária como nos governos militares. Naquela época os generais não davam entrevistas coletivas. Eles falavam quando eram abordados em viagens internacionais. Ao seguir esse modelo, Lula acaba se aborrecendo quando perguntado por essa “coisinha”. Preferia que perguntassem sobre grandes questões internacionais. Mas, no dia seguinte, brindou seus interlocutores com a defesa dispensável do programa nuclear iraniano. No Brasil, nunca se viu um movimento de opinião pública a favor do programa nuclear iraniano. Isso não é uma questão por aqui. O que incomoda, machuca, confunde o país neste momento são estas “coisinhas” deploráveis. Lula quando fala certas coisas deveria esclarecer que fala por si."
Do blog da autora.
"Ele não fala por mim
O presidente Lula defendeu ontem, de novo, o programa nuclear iraniano. A defesa do Irã é tão gratuita que causa espanto. Por que defender o indefensável? Ele disse que os Estados Unidos e a Rússia não têm autoridade para criticar o Irã. Não foram apenas esses dois países que condenaram o programa iraniano. O mundo o condenou porque ele não tem nenhuma cara de ser pacífico.
Parte do raciocínio faz sentido, parte não faz. Quando defende o desarmamento nuclear de todos, Lula representa a maioria do povo brasileiro, a quem nunca interessou o desenvolvimento de armas nucleares. Mas não faz sentido é a defesa, extemporânea e gratuita, de um governo que se isola da comunidade internacional, que escondeu parte das suas instalações nucleares, que mentiu para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que admite que está enriquecendo urânio além do percentual necessário para produzir energia.
O que o Brasil ganha defendendo um país que na semana passada foi condenado na Agência Internacional de Energia Atômica? China e Rússia votaram contra o aliado. O Brasil se absteve. Nada pior do que a abstenção num caso que merece uma posição clara.
Após sete anos de improvisos catastróficos em viagens internacionais, o presidente Lula ainda não entendeu que ele, quando está representando o Brasil, não fala por si, mas pela nação inteira. Portanto, tem que expressar o sentimento coletivo e não seus impulsos. Não há qualquer clamor no Brasil de defesa do Irã, muito menos do governo Ahmadinejad. Pelo contrário. A esdrúxula negativa de fatos históricos como o holocausto torna o governante iraniano definitivamente divorciado do pensamento da maioria dos brasileiros. Quando as urnas iranianas exalavam ainda o mau cheiro das fraudes, o Brasil foi o primeiro país a dizer que a eleição dele foi legítima. Até o Conselho de Guardiões do Irã admitiu que houve em cinquenta cidades do país mais votos que eleitores. A repressão ao movimento popular que pedia eleições limpas matou cidadãos nas ruas, como a jovem Neda. Naquele momento de indignação em todo o mundo com o governo Ahmadinejad, o Brasil se apressou a dar o aval a eleições fraudulentas.
Com Honduras, ocorreu o oposto: o governo brasileiro condenou as eleições antes mesmo que elas tivessem acontecido. E já avisou que não reconheceria o novo governo.
No caso de Honduras e no caso do Irã, o que a política externa perde é o tom. Ser a favor do desarmamento nuclear o Brasil sempre foi. Mas sempre foi também contra a proliferação nuclear. E o Irã neste momento significa, na opinião das maiores autoridades no assunto reunidos na AIEA, o risco de proliferação nuclear. O mais estranho da declaração de Lula é que ela veio depois de ter sido divulgado um comunicado conjunto com a chanceler alemã Angela Merkel, admoestando o Irã a “responder positivamente” e “cooperar inteiramente” com a AIEA e a ONU. Isso sim é o correto e tira o Irã do isolamento.
No caso de Honduras, a posição defendida pelo presidente Lula, seu secretário de Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tem a mesma dubiedade. No princípio, foi no tom exato, depois, desafinou. Numa região devastada por golpes de Estado, o Brasil condenou o golpe e a deportação de Manuel Zelaya, no que fez bem. A posição brasileira começou a sair do tom quando deixou de ser a defesa dos princípios democráticos para ser uma militância zelaysta.
O Brasil condenou uma eleição, a priori, e avalizou outra, quando a população ainda estava na rua indignada com as fraudes.
No mensalão do DEM em Brasília, o presidente Lula só encontrou a palavra “deplorável” no segundo dia. No primeiro, disse: “as imagens não falam por si”. O presidente da República não pode préjulgar. Mas não condenar antecipadamente não é o mesmo que absolver. Tudo fala por si no escândalo de Brasília: as imagens, os diálogos gravados, as conversas telefônicas, as desculpas improvisadas e mutantes e a hesitação do Democratas. “Aquela despesa mensal com político sua hoje está em quanto?”, disse o governador de Brasília, José Roberto Arruda. Muita coisa está fora da ordem nessa frase além do pronome possessivo.
O presidente Lula poderia não ter se manifestado. Seria melhor. Mas sua forma de lidar com a imprensa é autoritária como nos governos militares. Naquela época os generais não davam entrevistas coletivas. Eles falavam quando eram abordados em viagens internacionais. Ao seguir esse modelo, Lula acaba se aborrecendo quando perguntado por essa “coisinha”. Preferia que perguntassem sobre grandes questões internacionais. Mas, no dia seguinte, brindou seus interlocutores com a defesa dispensável do programa nuclear iraniano. No Brasil, nunca se viu um movimento de opinião pública a favor do programa nuclear iraniano. Isso não é uma questão por aqui. O que incomoda, machuca, confunde o país neste momento são estas “coisinhas” deploráveis. Lula quando fala certas coisas deveria esclarecer que fala por si."
Do blog da autora.
Reinaldo Azevedo
"Finalmente, um pouco de verdade inconveiente também para o "povo"
Uau!!!
Finalmente, as suspeitas, muito consistentes, de que os dados sobre o aquecimento global foram manipulados chegam ao grande público. Hackers piratearam dados da Universidade East Anglia, na Inglaterra, e publicaram e-mails trocados entre cientistas que sugerem que há especialistas escondendo o fato de que está em curso uma queda na temperatura global. Reproduzo abaixo, em azul, o post que publiquei a respeito no dia 24.
A universidade de East Anglia é uma das principais referências técnicas para sustentar a causa antropogênica do aquecimento global, e seu ex-chefão, Phil Jones, é uma das estrelas do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Ex-chefão porque foi obrigado a renunciar. Um e-mail escrito por ele está entre os mais suspeitos, a saber:
I’ve just completed Mike’s Nature trick of adding in the real temps to each series for the last 20 years (ie from 1981 onwards) amd [sic] from 1961 for Keith’s to hide the decline.
Jones diz que “trick” não quer dizer “truque” em sentido negativo. Muitos leitores lembraram aqui que, com efeito, pode designar um “método esperto”, uma “técnica inteligente” e afins. Muito bem. Mas o que faz ali o “to hide”??? Para esconder o quê? O “trick” virtuoso deveria servir, afinal, para ajudar a REVELAR. Jones alega que as palavras foram tiradas do contexto. Mas renunciou sem conseguir dizer o que, afinal, a mensagem significava.
O fato é que as coisas se complicaram. Jones teve de renunciar à chefia da East Anglia, o caso chegou à ONU, e já há gente querendo cassar o Oscar conferido àquela mistificação de Al Gores, o tal filme “Uma Verdade Inconveniente”. Já se sabia que o apocalipse que se prevê lá é uma fantasia mesmo que os dados sobre o aquecimento global estivessem corretos. O problema é que começa a ficar evidente o que muita gente sensata vinha dizendo: no momento, a Terra está esfriando, não esquentando.
A conferência de Copenhague está chegando. O lobby do apocalipse está com tudo. Mas não conseguiu impedir que os tais e-mails tivessem de ser debatidos pela ONU. Houve uma primeira fratura neste consenso. Isso vai tornar a militância ainda mais barulhenta. Mas, aos poucos, as evidências que têm sido ignoradas acabarão se impondo. E os cientistas que se opõem à escatologia terão direito, finalmene, a ter seus respectivos nomes, em vez de formarem apenas o batalhão dos “céticos”, o que, hoje em dia, virou quase sinônimo de “Bestas do Apocalipse”. Segue o post do dia 27.
*
O AQUECIMENTO GLOBAL E OS E-MAILS SUSPEITOS
A história circula já faz alguns dias, mas batia num muro de gelo (ooops!) na imprensa brasileira. Havia me destinado a falar hoje a respeito e esbocei tratar do assunto no Programa do Jô, mas aí a conversa tomou outro rumo. Bem, finalmente começa a circular entre nós, embora já venha com as tintas da desqualificação.
Mas de que diabos estou falando? Hackers invadiram os computadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, e piratearam nada menos de 6 mil e-mails trocados entre cientistas especializados em clima. East Anglia é um dos mais respeitados centros de climatologia do mundo, e seus estudos são um dos pilares que sustentam a tese de que o aquecimento global é provocado pela ação do homem.
Esse negócio de piratear dados de onde quer que seja não é bonito. Que os responsáveis sejam punidos etc etc etc. Mas o fato é que alguns dados que vieram a público parecem indicar que os especialistas em clima que sustentam a tese antropogênica para o aquecimento global são chegaditos a uma mentira e a uma propaganda enganosa. Há mensagens que sugerem manipulação de dados. A história, em detalhes, com vários trechos dos e-mails pirateados, está no blog de James Delingpole, do Telegraph.
Num deles, Phil Jones, chefão de East Anglia, diz a seus pares, nos Estados Unidos, que tinha recorrido aos mesmos “truques” de Michael Mann, da Universidade da Pensilvânia, para “esconder o declínio” de uma série de temperaturas num período de 20 anos, de 1961 a 1981. No original:.
I’ve just completed Mike’s Nature trick of adding in the real temps to each series for the last 20 years (ie from 1981 onwards) amd [sic] from 1961 for Keith’s to hide the decline.
Phil Jones se defende e diz que, quando os cientistas da área empregam a palavra “truque”, eles não querem dizer “truque”. Entendo… E que não falava de temperatura, mas da copa das árvores… Há outros e-mails que sugerem supressão de informação e debate sobre como tornar o aquecimento algo mais convincente, mais “quente”, entendem?, mobilizando mais as pessoas.
Os e-mails pirateados foram hospedados num servidor da Rússia, e não se tem idéia da origem da invasão. A direção de East Anglia já confirmou que são verdadeiros. Mas, é óbvio, nega que revelem manipulação. Atribui-se tudo à gritaria dos “céticos” — que, aliás, são tratados com bem pouca lhaneza nas mensagens. Da vontade de dar uns sopapos nos adversários à alegria porque um dos inimigos morreu — John Daly —, a ciência do aquecimento global demonstra que quente, mesmo, naquele universo, é o gosto pela fofoca e pela desqualificação de tudo o que não concorra para a tese do grupo.
Já escrevi bastante sobre aquecimento — e meu novo livro traz frases a respeito. Não sou especialista, é óbvio. O que tenho feito é sugerir aos leitores que busquem ouvir o contraditório. Afinal, não se deve partir do princípio de que alguns querem salvar o mundo, e outros, destruí-lo. Os e-mails são provas irrefutáveis de que há manipulação? Não! Mas que cheiram mal, ah, isso é inegável. Esse negócio de que “truque”, lá entre eles, não é “truque”. Bem… Com efeito, “truque” é a versão benevolente de “trick”, também “embuste”, “fraude” e coisas do paradigma.
Sabem o que é mais interessante? Há um troço chamado Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês). Não tenho como resumir. Está devidamente explicado aqui. Em suma, a temperatura do Pacífico tem grande influência na temperatura do planeta. Justamente entre 1961 e 1981, período a que se refere o tal e-mail, o Pacífico havia esfriado, assim como havia esquentado entre 1920 e 1940, depois esfriou de novo…
E como isso poderia ter sido evitado??? Bem, isso não poderia ter sido evitado ainda que os seres humanos renunciassem à sua cultura e voltassem à fase da coleta — e, suponho, da antropofagia…Ai os bobalhões logo dizem: “Ah, você quer poluir tudo!!!” Não! Quero é que parem com o papo terrorista, escatológico, para que se estabeleçam metas realistas."
"Finalmente, um pouco de verdade inconveiente também para o "povo"
Uau!!!
Finalmente, as suspeitas, muito consistentes, de que os dados sobre o aquecimento global foram manipulados chegam ao grande público. Hackers piratearam dados da Universidade East Anglia, na Inglaterra, e publicaram e-mails trocados entre cientistas que sugerem que há especialistas escondendo o fato de que está em curso uma queda na temperatura global. Reproduzo abaixo, em azul, o post que publiquei a respeito no dia 24.
A universidade de East Anglia é uma das principais referências técnicas para sustentar a causa antropogênica do aquecimento global, e seu ex-chefão, Phil Jones, é uma das estrelas do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Ex-chefão porque foi obrigado a renunciar. Um e-mail escrito por ele está entre os mais suspeitos, a saber:
I’ve just completed Mike’s Nature trick of adding in the real temps to each series for the last 20 years (ie from 1981 onwards) amd [sic] from 1961 for Keith’s to hide the decline.
Jones diz que “trick” não quer dizer “truque” em sentido negativo. Muitos leitores lembraram aqui que, com efeito, pode designar um “método esperto”, uma “técnica inteligente” e afins. Muito bem. Mas o que faz ali o “to hide”??? Para esconder o quê? O “trick” virtuoso deveria servir, afinal, para ajudar a REVELAR. Jones alega que as palavras foram tiradas do contexto. Mas renunciou sem conseguir dizer o que, afinal, a mensagem significava.
O fato é que as coisas se complicaram. Jones teve de renunciar à chefia da East Anglia, o caso chegou à ONU, e já há gente querendo cassar o Oscar conferido àquela mistificação de Al Gores, o tal filme “Uma Verdade Inconveniente”. Já se sabia que o apocalipse que se prevê lá é uma fantasia mesmo que os dados sobre o aquecimento global estivessem corretos. O problema é que começa a ficar evidente o que muita gente sensata vinha dizendo: no momento, a Terra está esfriando, não esquentando.
A conferência de Copenhague está chegando. O lobby do apocalipse está com tudo. Mas não conseguiu impedir que os tais e-mails tivessem de ser debatidos pela ONU. Houve uma primeira fratura neste consenso. Isso vai tornar a militância ainda mais barulhenta. Mas, aos poucos, as evidências que têm sido ignoradas acabarão se impondo. E os cientistas que se opõem à escatologia terão direito, finalmene, a ter seus respectivos nomes, em vez de formarem apenas o batalhão dos “céticos”, o que, hoje em dia, virou quase sinônimo de “Bestas do Apocalipse”. Segue o post do dia 27.
*
O AQUECIMENTO GLOBAL E OS E-MAILS SUSPEITOS
A história circula já faz alguns dias, mas batia num muro de gelo (ooops!) na imprensa brasileira. Havia me destinado a falar hoje a respeito e esbocei tratar do assunto no Programa do Jô, mas aí a conversa tomou outro rumo. Bem, finalmente começa a circular entre nós, embora já venha com as tintas da desqualificação.
Mas de que diabos estou falando? Hackers invadiram os computadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, e piratearam nada menos de 6 mil e-mails trocados entre cientistas especializados em clima. East Anglia é um dos mais respeitados centros de climatologia do mundo, e seus estudos são um dos pilares que sustentam a tese de que o aquecimento global é provocado pela ação do homem.
Esse negócio de piratear dados de onde quer que seja não é bonito. Que os responsáveis sejam punidos etc etc etc. Mas o fato é que alguns dados que vieram a público parecem indicar que os especialistas em clima que sustentam a tese antropogênica para o aquecimento global são chegaditos a uma mentira e a uma propaganda enganosa. Há mensagens que sugerem manipulação de dados. A história, em detalhes, com vários trechos dos e-mails pirateados, está no blog de James Delingpole, do Telegraph.
Num deles, Phil Jones, chefão de East Anglia, diz a seus pares, nos Estados Unidos, que tinha recorrido aos mesmos “truques” de Michael Mann, da Universidade da Pensilvânia, para “esconder o declínio” de uma série de temperaturas num período de 20 anos, de 1961 a 1981. No original:.
I’ve just completed Mike’s Nature trick of adding in the real temps to each series for the last 20 years (ie from 1981 onwards) amd [sic] from 1961 for Keith’s to hide the decline.
Phil Jones se defende e diz que, quando os cientistas da área empregam a palavra “truque”, eles não querem dizer “truque”. Entendo… E que não falava de temperatura, mas da copa das árvores… Há outros e-mails que sugerem supressão de informação e debate sobre como tornar o aquecimento algo mais convincente, mais “quente”, entendem?, mobilizando mais as pessoas.
Os e-mails pirateados foram hospedados num servidor da Rússia, e não se tem idéia da origem da invasão. A direção de East Anglia já confirmou que são verdadeiros. Mas, é óbvio, nega que revelem manipulação. Atribui-se tudo à gritaria dos “céticos” — que, aliás, são tratados com bem pouca lhaneza nas mensagens. Da vontade de dar uns sopapos nos adversários à alegria porque um dos inimigos morreu — John Daly —, a ciência do aquecimento global demonstra que quente, mesmo, naquele universo, é o gosto pela fofoca e pela desqualificação de tudo o que não concorra para a tese do grupo.
Já escrevi bastante sobre aquecimento — e meu novo livro traz frases a respeito. Não sou especialista, é óbvio. O que tenho feito é sugerir aos leitores que busquem ouvir o contraditório. Afinal, não se deve partir do princípio de que alguns querem salvar o mundo, e outros, destruí-lo. Os e-mails são provas irrefutáveis de que há manipulação? Não! Mas que cheiram mal, ah, isso é inegável. Esse negócio de que “truque”, lá entre eles, não é “truque”. Bem… Com efeito, “truque” é a versão benevolente de “trick”, também “embuste”, “fraude” e coisas do paradigma.
Sabem o que é mais interessante? Há um troço chamado Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês). Não tenho como resumir. Está devidamente explicado aqui. Em suma, a temperatura do Pacífico tem grande influência na temperatura do planeta. Justamente entre 1961 e 1981, período a que se refere o tal e-mail, o Pacífico havia esfriado, assim como havia esquentado entre 1920 e 1940, depois esfriou de novo…
E como isso poderia ter sido evitado??? Bem, isso não poderia ter sido evitado ainda que os seres humanos renunciassem à sua cultura e voltassem à fase da coleta — e, suponho, da antropofagia…Ai os bobalhões logo dizem: “Ah, você quer poluir tudo!!!” Não! Quero é que parem com o papo terrorista, escatológico, para que se estabeleçam metas realistas."
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Anti-Nova Ordem Mundial,
Politicamente incorreto
Dora Kramer
"Responsável de plantão
Quando o primeiro escândalo de corrupção do governo Luiz Inácio da Silva emergiu das imagens de Waldomiro Diniz, então braço direito do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, extorquindo o dito empresário Carlos Augusto Ramos, também conhecido como o bicheiro Carlinhos Cachoeira, de imediato todas as vozes se levantaram em defesa de uma reforma política “profunda”.
A tese por trás da proposta era a de que a culpa é do sistema político, eleitoral e partidário daninho. De lá para cá, repete-se a mesma cantilena a cada novo caso escabroso de corrupção, conferindo-se à reforma política o status de solução de plantão para todos os males.
Por esse raciocínio, o “sistema” é que seria o grande corruptor de pessoas inocentes, cujo desejo de governar para fazer o bem só se realiza ao custo da adesão à realidade nefasta fazendo política com as mãos sujas, não obstante o coração permaneça imaculado. Seria o preço a pagar.
Essa lógica sustentou o discurso de quem queria uma justificativa para apoiar a reeleição de Lula, mas não tinha coragem de dizer que estava pouco ligando para a ética. Esta servira como bandeira de oposição, mas atrapalhava a execução do projeto de poder.
Isso no caso do PT. Nos partidos que não haviam feito nenhum trato explícito com a ética na política, nem se apresentam justificativas. Muito embora também se agarrem com veemência na defesa da reforma política na hora em que a assombração transita por seus terreiros.
Depois da manifestação espontânea ao modo de Pôncio Pilatos - “as imagens não falam por si”-, orientado por sua assessoria sobre a ultrapassagem do limite do aceitável, o presidente Lula passou a considerar “deplorável” o que todo mundo viu sobre as atividades da quadrilha que atuava no governo de Brasília.
E, claro, atribuiu tudo à ausência da reforma política, acrescentando desconhecer as razões pelas quais ela não é aprovada. Levantou, porém uma suspeita: “Provavelmente porque os parlamentares seriam afetados pelas mudanças”.
Para um gênio da política, Lula se mostra um tanto ingênuo. E esquecido. O primeiro enterro da reforma, ainda no primeiro mandato, ocorreu porque os partidos de sua base trocaram o arquivamento por votos a favor do projeto - fracassado - da reeleição do então presidente da Câmara, o petista João Paulo Cunha.
O funeral seguinte deu-se agora em 2009 pela conjugação de interesses dos partidos do governo e da oposição que, no lugar da reforma, aprovaram uns remendos que facilitaram sobremaneira o uso do caixa 2 e encurtaram os prazos para punições, na prática impedindo cassações de eleitos, inclusive os deputados de Brasília agora pegos com as mãos imundas na botija.
Isso quer dizer que o defeito primordial não é das regras - de fato defeituosas - é da deformação das pessoas, da permissividade geral e da impunidade de que desfrutam.
'Vice versa'
Se mesmo antes do escândalo de Brasília a composição da chapa presidencial do PSDB com o DEM na vice já era uma possibilidade para lá de remota, agora virou algo fora de cogitação. No mês passado mesmo o tucano presidente do partido, senador Sérgio Guerra, dizia pública e textualmente que a dupla do governo Fernando Henrique “já deu o que tinha de dar”.
Nem a ala do DEM, liberada pelo presidente, o deputado Rodrigo Maia, que ressuscitou a proposta recentemente a levava muito a sério. Apenas achou que não devia “entregar os pontos” e usar a exigência da vice para se valorizar.
A fatura do DEM para o apoio em 2010 já fora cobrada e paga anteriormente: a eleição de Gilberto Kassab para a Prefeitura de São Paulo.
SABEM DE TUDO
Em relação a José Roberto Arruda, nem o DEM nem eleitorado de Brasília nem os partidos que faziam parte do governo podem alegar que a cigana os enganou. O DEM aceitou a filiação, o eleitor votou e o PSDB se juntou a um reincidente. No caso dos tucanos é ainda mais grave, porque Arruda havia sido convidado a sair do partido no episódio da violação do painel do Senado.
Sempre estiveram todos cientes de que grande quantidade de políticos, já eleitos ou candidatos, processados são potenciais criadores de casos e crises. Não só eles, claro. Os de boa reputação também podem vir a prevaricar, mas seria um grande avanço se a Nação aderisse ao lema de que é melhor prevenir do que remediar.
Começando por pressionar o Congresso a aprovar a emenda constitucional de iniciativa popular que proíbe o registro de candidaturas de gente condenada em pelo menos uma instância judicial.
Aliás, Parlamento que continua ignorando a emenda que está nas mãos dos líderes dos partidos na Câmara não pode se espantar com nada nem tem moral para censurar ninguém.
Notadamente se o presidente da Casa figura em lista secreta de empreiteira."
Do Jornal Cruzeiro do Sul.
"Responsável de plantão
Quando o primeiro escândalo de corrupção do governo Luiz Inácio da Silva emergiu das imagens de Waldomiro Diniz, então braço direito do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, extorquindo o dito empresário Carlos Augusto Ramos, também conhecido como o bicheiro Carlinhos Cachoeira, de imediato todas as vozes se levantaram em defesa de uma reforma política “profunda”.
A tese por trás da proposta era a de que a culpa é do sistema político, eleitoral e partidário daninho. De lá para cá, repete-se a mesma cantilena a cada novo caso escabroso de corrupção, conferindo-se à reforma política o status de solução de plantão para todos os males.
Por esse raciocínio, o “sistema” é que seria o grande corruptor de pessoas inocentes, cujo desejo de governar para fazer o bem só se realiza ao custo da adesão à realidade nefasta fazendo política com as mãos sujas, não obstante o coração permaneça imaculado. Seria o preço a pagar.
Essa lógica sustentou o discurso de quem queria uma justificativa para apoiar a reeleição de Lula, mas não tinha coragem de dizer que estava pouco ligando para a ética. Esta servira como bandeira de oposição, mas atrapalhava a execução do projeto de poder.
Isso no caso do PT. Nos partidos que não haviam feito nenhum trato explícito com a ética na política, nem se apresentam justificativas. Muito embora também se agarrem com veemência na defesa da reforma política na hora em que a assombração transita por seus terreiros.
Depois da manifestação espontânea ao modo de Pôncio Pilatos - “as imagens não falam por si”-, orientado por sua assessoria sobre a ultrapassagem do limite do aceitável, o presidente Lula passou a considerar “deplorável” o que todo mundo viu sobre as atividades da quadrilha que atuava no governo de Brasília.
E, claro, atribuiu tudo à ausência da reforma política, acrescentando desconhecer as razões pelas quais ela não é aprovada. Levantou, porém uma suspeita: “Provavelmente porque os parlamentares seriam afetados pelas mudanças”.
Para um gênio da política, Lula se mostra um tanto ingênuo. E esquecido. O primeiro enterro da reforma, ainda no primeiro mandato, ocorreu porque os partidos de sua base trocaram o arquivamento por votos a favor do projeto - fracassado - da reeleição do então presidente da Câmara, o petista João Paulo Cunha.
O funeral seguinte deu-se agora em 2009 pela conjugação de interesses dos partidos do governo e da oposição que, no lugar da reforma, aprovaram uns remendos que facilitaram sobremaneira o uso do caixa 2 e encurtaram os prazos para punições, na prática impedindo cassações de eleitos, inclusive os deputados de Brasília agora pegos com as mãos imundas na botija.
Isso quer dizer que o defeito primordial não é das regras - de fato defeituosas - é da deformação das pessoas, da permissividade geral e da impunidade de que desfrutam.
'Vice versa'
Se mesmo antes do escândalo de Brasília a composição da chapa presidencial do PSDB com o DEM na vice já era uma possibilidade para lá de remota, agora virou algo fora de cogitação. No mês passado mesmo o tucano presidente do partido, senador Sérgio Guerra, dizia pública e textualmente que a dupla do governo Fernando Henrique “já deu o que tinha de dar”.
Nem a ala do DEM, liberada pelo presidente, o deputado Rodrigo Maia, que ressuscitou a proposta recentemente a levava muito a sério. Apenas achou que não devia “entregar os pontos” e usar a exigência da vice para se valorizar.
A fatura do DEM para o apoio em 2010 já fora cobrada e paga anteriormente: a eleição de Gilberto Kassab para a Prefeitura de São Paulo.
SABEM DE TUDO
Em relação a José Roberto Arruda, nem o DEM nem eleitorado de Brasília nem os partidos que faziam parte do governo podem alegar que a cigana os enganou. O DEM aceitou a filiação, o eleitor votou e o PSDB se juntou a um reincidente. No caso dos tucanos é ainda mais grave, porque Arruda havia sido convidado a sair do partido no episódio da violação do painel do Senado.
Sempre estiveram todos cientes de que grande quantidade de políticos, já eleitos ou candidatos, processados são potenciais criadores de casos e crises. Não só eles, claro. Os de boa reputação também podem vir a prevaricar, mas seria um grande avanço se a Nação aderisse ao lema de que é melhor prevenir do que remediar.
Começando por pressionar o Congresso a aprovar a emenda constitucional de iniciativa popular que proíbe o registro de candidaturas de gente condenada em pelo menos uma instância judicial.
Aliás, Parlamento que continua ignorando a emenda que está nas mãos dos líderes dos partidos na Câmara não pode se espantar com nada nem tem moral para censurar ninguém.
Notadamente se o presidente da Casa figura em lista secreta de empreiteira."
Do Jornal Cruzeiro do Sul.
PT faz festa para homenagear ex-presidentes do partido e réus do mensalão
"O PT realiza na próxima terça-feira (8) em Brasília uma festa de fim de ano para homenagear todos os ex-presidentes do partido, inclusive os que são réus da ação do mensalão que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal): o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e o deputado federal José Genoino (PT-SP)."
Da Folha de São Paulo.
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Acredite se quiser.
"O PT realiza na próxima terça-feira (8) em Brasília uma festa de fim de ano para homenagear todos os ex-presidentes do partido, inclusive os que são réus da ação do mensalão que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal): o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e o deputado federal José Genoino (PT-SP)."
Da Folha de São Paulo.
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Acredite se quiser.
João Pereira Coutinho
"Relógios e Rousseau
Dizem os cínicos que a Suíça deu duas coisas ao mundo: relógios e Rousseau. Os cínicos devem acrescentar à lista a grande surpresa da semana: contra todas as previsões, os suíços resolveram proibir a construção de minaretes islâmicos no seu espaço nacional. Os minaretes são estruturas arquitectónicas, em forma de torre, que permitem chamar os fiéis para a oração.
Não mais. O Partido do Povo da Suíça, a maior organização partidária do país, resolveu convocar um referendo. E o povo, sempre soberano, rejeitou a "islamização" do seu espaço público. Em certos cantões, e sobretudo com o apoio feminino (por que será?), a rejeição foi esmagadora.
A atitude dos suíços horrorizou a Europa e alguns intelectuais de serviço, disparando da esquerda, acusam os nativos de intolerância extrema. Os suíços têm ódio e medo perante o estrangeiro, dizem os críticos; e assim se explica o repúdio da religião islâmica e da sua expressão arquitectónica, uma atitude incompreensível e até irracional quando sabemos que os muçulmanos representam 5% da população suíça e são, na sua maioria, procedentes dos balcãs e da Turquia, e não necessariamente de países árabes extremistas.
Não pretendo contestar a opinião dos críticos. Sou um conservador liberal. Acredito na separação entre o Estado e a Igreja e, além disso, a liberdade de culto é condição basilar para qualquer sociedade civilizada. É por isso que prefiro viver no Ocidente e não, por exemplo, no Islã.
Acontece que, no meio da novela suíça, dois pormenores parecem escapar aos críticos.
Em primeiro lugar, nenhum deles parece questionar por que motivo os suíços se organizaram para impedir a construção de minaretes mas não, por exemplo, a construção de mais igrejas ou sinagogas.
Acusações de racismo servem apenas para iludir a verdade mais desconfortável: o terrorismo moderno, que teve a sua apoteose com os atentados de Nova York em 2001, não se pratica em nome da Bíblia ou da Torah. Goste-se ou desgoste-se, ele é praticado em nome de uma particular interpretação fundamentalista do Corão. Uma interpretação que muitas mesquitas na Europa, e sobretudo no Reino Unido, promoveram e promovem clandestinamente, adulterando uma vocação que deveria ser espiritual, e não marcial.
Mas existe um segundo pormenor que importa relembrar. Disse no início que a Suíça legou ao mundo relógios e Rousseau. Deixando de parte os relógios, fiquemos com Rousseau. Sobretudo com a sua particular concepção de "democracia direta" (e referendária) que constitui uma das vacas sagradas da esquerda clássica. Se os estados justos são aqueles onde prevalece a "vontade geral", não se percebe por que motivo a "vontade geral" dos suíços horroriza assim tanto os seus herdeiros.
Para quem sempre divinizou a soberania popular, criticar os suíços é coisa de reacionário."
Da Folha de São Paulo.
"Relógios e Rousseau
Dizem os cínicos que a Suíça deu duas coisas ao mundo: relógios e Rousseau. Os cínicos devem acrescentar à lista a grande surpresa da semana: contra todas as previsões, os suíços resolveram proibir a construção de minaretes islâmicos no seu espaço nacional. Os minaretes são estruturas arquitectónicas, em forma de torre, que permitem chamar os fiéis para a oração.
Não mais. O Partido do Povo da Suíça, a maior organização partidária do país, resolveu convocar um referendo. E o povo, sempre soberano, rejeitou a "islamização" do seu espaço público. Em certos cantões, e sobretudo com o apoio feminino (por que será?), a rejeição foi esmagadora.
A atitude dos suíços horrorizou a Europa e alguns intelectuais de serviço, disparando da esquerda, acusam os nativos de intolerância extrema. Os suíços têm ódio e medo perante o estrangeiro, dizem os críticos; e assim se explica o repúdio da religião islâmica e da sua expressão arquitectónica, uma atitude incompreensível e até irracional quando sabemos que os muçulmanos representam 5% da população suíça e são, na sua maioria, procedentes dos balcãs e da Turquia, e não necessariamente de países árabes extremistas.
Não pretendo contestar a opinião dos críticos. Sou um conservador liberal. Acredito na separação entre o Estado e a Igreja e, além disso, a liberdade de culto é condição basilar para qualquer sociedade civilizada. É por isso que prefiro viver no Ocidente e não, por exemplo, no Islã.
Acontece que, no meio da novela suíça, dois pormenores parecem escapar aos críticos.
Em primeiro lugar, nenhum deles parece questionar por que motivo os suíços se organizaram para impedir a construção de minaretes mas não, por exemplo, a construção de mais igrejas ou sinagogas.
Acusações de racismo servem apenas para iludir a verdade mais desconfortável: o terrorismo moderno, que teve a sua apoteose com os atentados de Nova York em 2001, não se pratica em nome da Bíblia ou da Torah. Goste-se ou desgoste-se, ele é praticado em nome de uma particular interpretação fundamentalista do Corão. Uma interpretação que muitas mesquitas na Europa, e sobretudo no Reino Unido, promoveram e promovem clandestinamente, adulterando uma vocação que deveria ser espiritual, e não marcial.
Mas existe um segundo pormenor que importa relembrar. Disse no início que a Suíça legou ao mundo relógios e Rousseau. Deixando de parte os relógios, fiquemos com Rousseau. Sobretudo com a sua particular concepção de "democracia direta" (e referendária) que constitui uma das vacas sagradas da esquerda clássica. Se os estados justos são aqueles onde prevalece a "vontade geral", não se percebe por que motivo a "vontade geral" dos suíços horroriza assim tanto os seus herdeiros.
Para quem sempre divinizou a soberania popular, criticar os suíços é coisa de reacionário."
Da Folha de São Paulo.
Marcadores:
Anti-Nova Ordem Mundial,
Politicamente incorreto
Direto do blog Se Liga
"And finally the day has come
Alunos são proibidos de se formar em universidade de Lincoln,nos EUA, por estarem obesos
RIO - A Lincoln University, a primeira instituição de ensino para a comunidade negra na História dos EUA, envolveu-se em uma grande polêmica: está se recusando a entregar o diploma de graduação para alunos obesos.
A universidade, situada em Oxford, no estado da Pensilvânia, iniciou em 2006 um programa obrigatório chamado "Fitness for Life" (Educação Física pela Vida), a fim de fazer com que estudantes com índice de massa corpórea (IMC) acima de 30 entrassem em forma com três horas semanais de atividades físicas, além de acompanhamento nutricional e psicológico, de acordo com informações publicadas no site "Daily Beast"."
Acredite se quiser.
"And finally the day has come
Alunos são proibidos de se formar em universidade de Lincoln,nos EUA, por estarem obesos
RIO - A Lincoln University, a primeira instituição de ensino para a comunidade negra na História dos EUA, envolveu-se em uma grande polêmica: está se recusando a entregar o diploma de graduação para alunos obesos.
A universidade, situada em Oxford, no estado da Pensilvânia, iniciou em 2006 um programa obrigatório chamado "Fitness for Life" (Educação Física pela Vida), a fim de fazer com que estudantes com índice de massa corpórea (IMC) acima de 30 entrassem em forma com três horas semanais de atividades físicas, além de acompanhamento nutricional e psicológico, de acordo com informações publicadas no site "Daily Beast"."
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