Míriam Leitão
"Papel da oposição
O Brasil tem governo demais e oposição de menos. O presidente Lula fala e faz o que bem entende sem um contraponto. A oposição tem medo da popularidade do presidente e acha melhor não apontar suas falhas sequenciais. O PSDB se omite em questões importantes, o DEM é temático, o PSB é oficialmente da base, o PV começa a desenhar uma alternativa, o PMDB é governo e sempre será.
O novo ministro do Supremo José Antonio Toffoli não foi escolhido por seu currículo, mas por sua extensa folha de serviços prestados ao PT. Nos Estados Unidos, a juíza Sonia Sotomayor foi sabatinada por uma semana pelo Senado, e os republicanos quiserem saber o sentido de cada ato e declaração dela antes de aprová-la. Aqui, bastou meia dúzia de perguntas dos partidos de oposição, durante uma tarde, e ele foi aprovado. Na posse de Toffoli, lá estava na primeira fila batendo palmas para ele o governador José Serra, que é o nome da oposição que está na frente em todas as pesquisas de intenção de votos.
O anúncio do pré-sal foi montado como um palanque para a candidata Dilma Rousseff, e o projeto de regulação tem uma sucessão de erros, mas lá estava Serra no lançamento, reclamando apenas dos royalties. Cabe à oposição, de qualquer partido, mostrar os equívocos do caminho escolhido que favorece uma empresa de capital aberto, tira transparência do processo de escolha de investidores e não pesa o custo ambiental da exploração.
O PAC das cidades históricas é uma versão empobrecida de um projeto do governo passado, mas lá estava batendo palmas o governador de Minas, Aécio Neves, outro pré-candidato do PSDB.
O presidente deu uma entrevista em que nem Cristo foi poupado. Tudo o que Serra disse foi uma ironia de pouco alcance: “A entrevista é interessante porque mostra o que o presidente é.” Ninguém entendeu. Quando Lula ficou três dias num carnaval fora de hora, em cima de um palanque, com dinheiro público, alegando fiscalizar uma obra, Serra falou algo sobre irrigação nas terras ribeirinhas, e há um movimento de se saber o custo da viagem. Mas a transposição do Rio São Francisco deve ser discutida também por uma série de outros motivos. Teve licença ambiental condicionada a exigências até agora não cumpridas. O rio sofre com assoreamento, esgoto sanitário de inúmeras cidades ribeirinhas, e destruição da mata ciliar. A população não pode ficar na situação de apenas se queixar ao bispo.
O presidente Lula tem atacado o TCU sucessivamente e avisa que vai apresentar uma lista de absurdos que pararam obras importantes. A oposição sabe a lista de absurdos encontrados nas obras do PAC ou fora dele? É melhor que saiba porque o governo informa que está pensando em criar um conselho para que as obras contestadas sejam liberadas em rito sumário.
O governo atrasa a restituição de Imposto de Renda às pessoas físicas; desmoraliza, por erros gerenciais e falta de controle, o programa de avaliação do ensino médio; planeja construir dezenas de termoelétricas a combustível fóssil nos próximos anos; permite que o setor elétrico se transforme em feudo familiar de um aliado; faz ameaças públicas a uma empresa privada; o Rio afunda numa angustiante crise de segurança. Isso para citar alguns eventos recentes sobre os quais os políticos de oposição ou fazem protesto débil ou frases de efeito.
O Bolsa Família é um programa que distribui renda para quem precisa e tem o direito de receber. Mas um dos seus méritos iniciais, quando nasceu como Bolsa Escola em experiências municipais, era não ser uma concessão assistencialista. Está perdendo essa virtude. Seu maior desafio como política pública era ter uma porta de saída, ser uma alavanca para a mobilidade social. O governo não formatou essa porta de saída e o programa começa a perder qualidade. A oposição tem medo de criticar o que está errado no projeto, tem medo de desmascarar o uso político-eleitoral do programa, e de propor avanços. Toda política pública é uma ferramenta. O Bolsa Família pode e deve ser aperfeiçoado, sem ser abandonado.
O mundo está a 42 dias de sua mais crucial negociação internacional: a Cop 15, de Copenhague. O Brasil ainda não tem uma posição porque o governo se perdeu num debate interno ultrapassado sobre o conflito entre crescimento e controle das emissões dos gases de efeito estufa. O maior partido de oposição, o PSDB, trata a questão ambiental e climática como periférica. Tem um ou outro especialista no tema, mas os pré-candidatos passam pelo assunto com a leveza dos desinformados. O DEM concorda com o governo: azar do meio ambiente, e todo o poder aos desmatadores.
Oposição não é apenas para colher assinaturas para CPIs, que abandonará assim que o governo conseguir os postos de presidente e relator; nem é para ficar contra sistematicamente tudo, como ficava o PT. Seu papel é mostrar outros caminhos e escolhas; criticar, fiscalizar, propor. Em regimes parlamentaristas como o da Inglaterra, a oposição tem o bom hábito de montar um shadow cabinet, uma espécie de ministro sombra para cada área. Isso não impediu que a oposição inglesa votasse em leis com as quais concordava, como a legislação contra a mudança climática. Mas permite que a oposição tenha mais profundidade nas críticas e nas avaliações de políticas.
A democracia para ser inteira tem que ter governo e oposição. Há desafios imensos para o país e os partidos que não estão na base parlamentar têm que saber o que dizer sobre eles. Não porque está se aproximando uma eleição presidencial, mas sim para que se saiba por que são oposição."
Do blog da autora.
27.10.09
15.10.09
Dora Kramer
"Uma nação de cócoras
Objetivamente: qual a necessidade de o presidente da República passar três dias vistoriando obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco em quatro Estados, na companhia de uma vasta comitiva de ministros, entre eles a chefe da Casa Civil?
Para uma vistoria, engenheiros dariam conta do recado. Para uma prestação de contas à sociedade com a finalidade de mostrar que as obras estão andando, há verbas (abundantes) de propaganda institucional.
Mas, como o objetivo não é verificar coisa alguma e a publicidade pura e simples, no caso, não cumpre o objetivo, o presidente Luiz Inácio da Silva ocupa três dias úteis dos raros que tem passado no País com uma turnê de acampamentos e pronunciamentos de caráter pura e explicitamente eleitoral.
Isso quando há problemas graves que mereceriam do presidente mais que referências ligeiras ou declarações de natureza político-partidária, ora em sentido de ataque, ora de defesa.
Exemplos mais recentes: o cancelamento por fraude do Enem e o confisco temporário de parte da devolução do Imposto de Renda para cobrir gastos públicos contratados pela necessidade de sua excelência alimentar o mito do grande beneficiário da Nação, empreendedor ousado.
Mas o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra - mas, sobretudo, enfraquece - todo o País.
Fato é que os Poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de apontar o que está errado.
Por receio de remar contra a corrente, mal percebendo que a corrente é formada justamente por força da intimidação geral, temor de ser enquadrado na categoria dos golpistas. Tomemos o partido de oposição que pretende voltar ao poder nas próximas eleições, o PSDB, pois ontem um dos postulantes à candidatura presidencial, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, manifestou-se com muita clareza a respeito dessa última e mais atrevida turnê eleitoral financiada com dinheiro do bolso de quem é partidário do presidente e de quem não é.
“Acho que o presidente tem todo direito de viajar pelo País. Isso faz parte do jogo político. Eu não me preocupo com essas viagens. Acho que elas são legítimas, da mesma forma que nós, da oposição, de forma extremamente respeitosa, temos de ter nossa estratégia. Isso é a democracia”, disse o governador, num momento de acentuado equívoco.
Pelo seguinte: não se trata de a oposição se preocupar eleitoralmente ou não com as viagens de Lula. Inclusive porque a questão não são as viagens, mas a natureza eleitoral, partidária, portanto, e o fato de transgredirem a lei no que tange ao uso da máquina pública.
A declaração do governador de Minas, sendo ele quem é no cenário político e em particular de seu partido, representa a voz do PSDB. Que, portanto, não apenas aceita que o dinheiro público seja usado pelo governante para financiamento de campanha como, ao achar tudo muito “natural e legítimo”, confessa que faria (se já não faz) o mesmo.
O governador de Minas, e de forma mais contida o de São Paulo, José Serra, acham que fazendo vista grossa a todo e qualquer tipo de transgressão estão sendo politicamente espertos, quando apenas fogem de suas responsabilidades como homens públicos que se pretendem “íntegros”, conforme pregou outro dia o governador Serra. Não contestam coisa alguma, coonestam e assim vão amaciando, “respeitosamente”, o caminho rumo ao Palácio do Planalto.
Pode até ser que a estratégia dê certo sob o ponto de vista eleitoral da oposição. Mas é um desserviço à democracia, que, ao contrário do que parece pensar o governador Aécio, não significa liberdade para transgredir, mas respeito ao direito - e ao dinheiro - de todos.
Modo de operação
O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Wilson Trezza, diz que a Abin não tem como prevenir ações violentas do MST. Considerando a quantidade de atos de violência já cometidos pelos sem-terra, tal declaração se não é fruto de incompetência é produto de conivência.
Dominatrix
Lula controla o Congresso, indicou quase todos (8 dos 11) ministros do Supremo Tribunal Federal, fez a Petrobrás retroceder aos tempos de controle político e agora quer dar um chega para lá em Roger Agnelli, porque o presidente da Vale não lhe presta a reverência exigida.
É por essas e muitas outras que o presidente da República vocifera contra os “excessos” do Tribunal de Contas da União. À exceção de seu ex-ministro das Relações Institucionais José Múcio Monteiro, Lula não conseguiu emplacar uma indicação ao TCU."
"Uma nação de cócoras
Objetivamente: qual a necessidade de o presidente da República passar três dias vistoriando obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco em quatro Estados, na companhia de uma vasta comitiva de ministros, entre eles a chefe da Casa Civil?
Para uma vistoria, engenheiros dariam conta do recado. Para uma prestação de contas à sociedade com a finalidade de mostrar que as obras estão andando, há verbas (abundantes) de propaganda institucional.
Mas, como o objetivo não é verificar coisa alguma e a publicidade pura e simples, no caso, não cumpre o objetivo, o presidente Luiz Inácio da Silva ocupa três dias úteis dos raros que tem passado no País com uma turnê de acampamentos e pronunciamentos de caráter pura e explicitamente eleitoral.
Isso quando há problemas graves que mereceriam do presidente mais que referências ligeiras ou declarações de natureza político-partidária, ora em sentido de ataque, ora de defesa.
Exemplos mais recentes: o cancelamento por fraude do Enem e o confisco temporário de parte da devolução do Imposto de Renda para cobrir gastos públicos contratados pela necessidade de sua excelência alimentar o mito do grande beneficiário da Nação, empreendedor ousado.
Mas o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra - mas, sobretudo, enfraquece - todo o País.
Fato é que os Poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de apontar o que está errado.
Por receio de remar contra a corrente, mal percebendo que a corrente é formada justamente por força da intimidação geral, temor de ser enquadrado na categoria dos golpistas. Tomemos o partido de oposição que pretende voltar ao poder nas próximas eleições, o PSDB, pois ontem um dos postulantes à candidatura presidencial, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, manifestou-se com muita clareza a respeito dessa última e mais atrevida turnê eleitoral financiada com dinheiro do bolso de quem é partidário do presidente e de quem não é.
“Acho que o presidente tem todo direito de viajar pelo País. Isso faz parte do jogo político. Eu não me preocupo com essas viagens. Acho que elas são legítimas, da mesma forma que nós, da oposição, de forma extremamente respeitosa, temos de ter nossa estratégia. Isso é a democracia”, disse o governador, num momento de acentuado equívoco.
Pelo seguinte: não se trata de a oposição se preocupar eleitoralmente ou não com as viagens de Lula. Inclusive porque a questão não são as viagens, mas a natureza eleitoral, partidária, portanto, e o fato de transgredirem a lei no que tange ao uso da máquina pública.
A declaração do governador de Minas, sendo ele quem é no cenário político e em particular de seu partido, representa a voz do PSDB. Que, portanto, não apenas aceita que o dinheiro público seja usado pelo governante para financiamento de campanha como, ao achar tudo muito “natural e legítimo”, confessa que faria (se já não faz) o mesmo.
O governador de Minas, e de forma mais contida o de São Paulo, José Serra, acham que fazendo vista grossa a todo e qualquer tipo de transgressão estão sendo politicamente espertos, quando apenas fogem de suas responsabilidades como homens públicos que se pretendem “íntegros”, conforme pregou outro dia o governador Serra. Não contestam coisa alguma, coonestam e assim vão amaciando, “respeitosamente”, o caminho rumo ao Palácio do Planalto.
Pode até ser que a estratégia dê certo sob o ponto de vista eleitoral da oposição. Mas é um desserviço à democracia, que, ao contrário do que parece pensar o governador Aécio, não significa liberdade para transgredir, mas respeito ao direito - e ao dinheiro - de todos.
Modo de operação
O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Wilson Trezza, diz que a Abin não tem como prevenir ações violentas do MST. Considerando a quantidade de atos de violência já cometidos pelos sem-terra, tal declaração se não é fruto de incompetência é produto de conivência.
Dominatrix
Lula controla o Congresso, indicou quase todos (8 dos 11) ministros do Supremo Tribunal Federal, fez a Petrobrás retroceder aos tempos de controle político e agora quer dar um chega para lá em Roger Agnelli, porque o presidente da Vale não lhe presta a reverência exigida.
É por essas e muitas outras que o presidente da República vocifera contra os “excessos” do Tribunal de Contas da União. À exceção de seu ex-ministro das Relações Institucionais José Múcio Monteiro, Lula não conseguiu emplacar uma indicação ao TCU."
9.10.09
Paul Reynolds
"Análise: Obama recebeu prêmio por suas intenções
"Ao anunciar a escolha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para o Nobel da Paz, o comitê norueguês estava honrando as intenções de Obama mais do que suas conquistas.
Obama está no cargo há pouco mais de oito meses e provavelmente pretende servir oito anos, então é muito cedo em seu mandato para que receba esse prêmio.
O comitê não fez segredo de sua visão, dizendo que Obama recebeu o prêmio “por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”.
Isso é, claramente, uma crítica implícita ao ex-presidente americano, George W. Bush e aos neo-conservadores, frequentemente acusados de tentar mudar o mundo à sua imagem.
O comitê deu “importância especial à visão de Obama e a seu trabalho por um mundo sem armas nucleares”. Mas também mencionou a ONU, as mudanças climáticas e o "fortalecimento da democracia e dos direitos humanos".
A referência feita a "democracia" será notada – talvez ironicamente, talvez com algum ressentimento – pelos neo-conservadores, já que a chamada "disseminação da democracia", especialmente no grande Oriente Médio (como eles chamavam a região incluindo o Afeganistão), era uma de suas bandeiras.
O risco para o presidente Obama é que ele poderá não corresponder à expectativa levantada pela premiação.
Aqui estão alguns dos problemas que ele enfrenta, suas intenções para lidar com eles e as chances de sucesso.
Armas nucleares: O presidente falou de seu desejo de ver um mundo sem armas nucleares. Uma nova resolução do Conselho de Segurança (de número 1887) deu mais peso à conferência do próximo ano, que irá revisar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Ele também quer que o Senado americano ratifique o tratado. Mas até que ponto os Estados Unidos estão realmente preparados para ir? O país espera obter um novo acordo com a Rússia em dezembro para reduzir o número de ogivas prontas para abaixo das 2,2 mil já acordadas. Mas ter até mesmo centenas de ogivas não é viver em um mundo livre de armas nucleares. E enquanto outros (Rússia, China, Grã-Bretanha, França, Índia, Paquistão e Israel) as tiverem, os Estados Unidos também as terão. É provável que haja algum progresso, mas as armas nucleares continuarão a existir.
Mudanças climáticas: O presidente Obama desafiou a política hostil adotada pelo ex-presidente Bush. Mas cada passo de Obama nessa área dependerá de sua aceitação no Congresso. A intenção está lá, mas a realização é problemática.
Direitos humanos: O comitê não mencionou, mas o proposto fechamento da prisão de Guantánamo e o fim do uso de tortura por todas as agências americanas provavelmente fizeram parte da decisão (de conceder o prêmio a Obama). A previsão é de que Guantánamo seja fechada até o começo do ano que vem.
Iraque: O presidente disse que as operações americanas de combate no Iraque terminarão até o fim de agosto do ano que vem, apesar da previsão de que tropas americanas ficarão no país para treinar iraquianos e lutar contra a Al-Qaeda. As intenções estão lá, mas ainda não foram levadas a cabo, apesar da grande probabilidade de virem a ser.
Irã: Há pelo menos o início de uma negociação sobre o programa nuclear do Irã após a “mão estendida” de Obama. Mas ninguém pode dizer até onde e em que velocidade isso acontecerá. A ameaça de um conflito entre o Irã e Israel continua. Enquanto isso, ainda não há conversas significativas entre Israel e os palestinos.
Afeganistão: O atual problema mais difícil para o presidente. Ele enfrenta as demandas para um aumento das forças americanas no país, o que significaria mais guerra, o que é pouco encorajador para um vencedor de um prêmio de paz. A crise continua.
Todos esses problemas ilustram as intenções do presidente, mas também a distância que tem para percorrer para cumprir as expectativas.
O comitê do prêmio Nobel da Paz tomou um passo ousado."
Da BBC-Brasil
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Acredite se quiser.
"Análise: Obama recebeu prêmio por suas intenções
"Ao anunciar a escolha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para o Nobel da Paz, o comitê norueguês estava honrando as intenções de Obama mais do que suas conquistas.
Obama está no cargo há pouco mais de oito meses e provavelmente pretende servir oito anos, então é muito cedo em seu mandato para que receba esse prêmio.
O comitê não fez segredo de sua visão, dizendo que Obama recebeu o prêmio “por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”.
Isso é, claramente, uma crítica implícita ao ex-presidente americano, George W. Bush e aos neo-conservadores, frequentemente acusados de tentar mudar o mundo à sua imagem.
O comitê deu “importância especial à visão de Obama e a seu trabalho por um mundo sem armas nucleares”. Mas também mencionou a ONU, as mudanças climáticas e o "fortalecimento da democracia e dos direitos humanos".
A referência feita a "democracia" será notada – talvez ironicamente, talvez com algum ressentimento – pelos neo-conservadores, já que a chamada "disseminação da democracia", especialmente no grande Oriente Médio (como eles chamavam a região incluindo o Afeganistão), era uma de suas bandeiras.
O risco para o presidente Obama é que ele poderá não corresponder à expectativa levantada pela premiação.
Aqui estão alguns dos problemas que ele enfrenta, suas intenções para lidar com eles e as chances de sucesso.
Armas nucleares: O presidente falou de seu desejo de ver um mundo sem armas nucleares. Uma nova resolução do Conselho de Segurança (de número 1887) deu mais peso à conferência do próximo ano, que irá revisar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Ele também quer que o Senado americano ratifique o tratado. Mas até que ponto os Estados Unidos estão realmente preparados para ir? O país espera obter um novo acordo com a Rússia em dezembro para reduzir o número de ogivas prontas para abaixo das 2,2 mil já acordadas. Mas ter até mesmo centenas de ogivas não é viver em um mundo livre de armas nucleares. E enquanto outros (Rússia, China, Grã-Bretanha, França, Índia, Paquistão e Israel) as tiverem, os Estados Unidos também as terão. É provável que haja algum progresso, mas as armas nucleares continuarão a existir.
Mudanças climáticas: O presidente Obama desafiou a política hostil adotada pelo ex-presidente Bush. Mas cada passo de Obama nessa área dependerá de sua aceitação no Congresso. A intenção está lá, mas a realização é problemática.
Direitos humanos: O comitê não mencionou, mas o proposto fechamento da prisão de Guantánamo e o fim do uso de tortura por todas as agências americanas provavelmente fizeram parte da decisão (de conceder o prêmio a Obama). A previsão é de que Guantánamo seja fechada até o começo do ano que vem.
Iraque: O presidente disse que as operações americanas de combate no Iraque terminarão até o fim de agosto do ano que vem, apesar da previsão de que tropas americanas ficarão no país para treinar iraquianos e lutar contra a Al-Qaeda. As intenções estão lá, mas ainda não foram levadas a cabo, apesar da grande probabilidade de virem a ser.
Irã: Há pelo menos o início de uma negociação sobre o programa nuclear do Irã após a “mão estendida” de Obama. Mas ninguém pode dizer até onde e em que velocidade isso acontecerá. A ameaça de um conflito entre o Irã e Israel continua. Enquanto isso, ainda não há conversas significativas entre Israel e os palestinos.
Afeganistão: O atual problema mais difícil para o presidente. Ele enfrenta as demandas para um aumento das forças americanas no país, o que significaria mais guerra, o que é pouco encorajador para um vencedor de um prêmio de paz. A crise continua.
Todos esses problemas ilustram as intenções do presidente, mas também a distância que tem para percorrer para cumprir as expectativas.
O comitê do prêmio Nobel da Paz tomou um passo ousado."
Da BBC-Brasil
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Acredite se quiser.
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Nova Ordem Mundial; Nova Era
Dora Kramer - Trechos
"Se o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix, acha que a destruição parcial da plantação de laranjas da Cutrale em fazenda invadida é um “excesso” igual a tantos outros do MST, as declarações em tom de indignação conselheira por parte do ministro da Reforma Agrária e do presidente do Incra foram até contundentes.
Pela ótica do governo federal - traduzida na manifestação do general e materializada na mobilização da “base” no Parlamento para impedir a investigação de repasses de dinheiro ao MST -, a percepção do ministro da Justiça para o problema está perfeitamente dentro dos conformes.
No último mês de março, quando quatro empregados de uma fazenda em Pernambuco foram assassinados em confrontos com sem-terra, Tarso Genro atribuiu o episódio às “táticas arrojadas” do MST.
Entre um “arrojo” e um “excesso”, temos a expressão “ação grotesca” empregada pelo ministro Guilherme Cassel para definir as imagens do trator derrubando o laranjal, e a avaliação de Rolf Hackbart, do Incra: “Isso não contribui para resolver os conflitos nem colabora com o processo de reforma agrária”.
É de se perguntar às quatro autoridades e a tantas outras que mantêm o financiamento público ao MST, além daquela autoridade maior que tudo vê e tudo corrobora, o que seria feito de um cidadão comum - ou mesmo de uma pessoa incomum, como o senador José Sarney, por exemplo - que entrasse com um trator em terras produtivas derrubando toda a produção.
Isso para não falarmos da rotina de vandalismo, que já inclui até a invasão das dependências do Congresso Nacional. Sim, o que seria feito do invasor? Preso e, na melhor das hipóteses, declarado maluco.
Pois ao MST é dado o benefício das palavras amenas, das críticas construtivas - como as do presidente do Incra, ao molde de aconselhamento sobre o que é “melhor” para o movimento - e da licença para barbarizar a tudo e a todos impunemente.
Aos cumpridores da lei resta o malefício de ouvir impotentes à cínica declaração da meliante travestida de militante a dizer na televisão que a derrubada do laranjal se destinava a abrir espaço para o plantio de feijão. “Não se vive só de laranja”, zombou a bandida, de costas para a legalidade e de mãos dadas com as autoridades federais que se recusam a cumprir a Constituição no preceito da garantia à propriedade.
E ainda sustentam os bandoleiros com o dinheiro suado dos impostos pagos pela sociedade, enquanto se comemoram os maravilhosos feitos brasileiros em sua trajetória rumo ao Primeiro Mundo. Onde podem até ser aceitas, mas costumam ser condenadas as transgressões financiadas e abrigadas pelo aparelho de Estado."
"Corrente pra frente
A tese do presidente Lula de que o Brasil não deve se preocupar com o que será gasto, mas com o que será ganho na Olimpíada de 2010, porque qualquer que precise ser o “investimento” o resultado vale a pena, parte, como sempre, do velho princípio, digamos, troglodita: os fins justificam os meios.
Por ele, ninguém foi importunado pelo fato de o gasto com o Pan em 2008 ter ficado na casa dos R$ 4 bilhões, quando o planejamento previa despesa de R$ 400 milhões.Nem por força de dispositivos previstos no Código Penal - corrupção, para sermos explícitos -, nem pela falta de qualidade técnica dos planejadores."
"Catequese
A Comissão Pastoral da Terra condena a divulgação das imagens dos sem-terra derrubando o laranjal e acha natural o MST depredar a fazenda da Cutrale porque as terras, em litígio judicial, seriam públicas.
Donde as almas sob orientação da CPT são ensinadas a defender a censura e a considerar o bem público terra de ninguém.Com todo o respeito que não merece a Pastoral nesse aspecto, suas santíssimas andam com o juízo à deriva.
Eis a questão
Vamos ao fato: as condenações de autoridades federais às ações do MST não merecem crédito. E desacreditadas ficarão até que o governo abandone a lógica da transgressão de Estado e passe a cumprir a lei, instituída há quase dez anos por medida provisória, que retira do programa de reforma agrária terras invadidas e veda benefícios oficiais a invasores.
Quando Luiz Inácio da Silva assumiu a Presidência da República, em janeiro de 2003, o Ministério da Reforma Agrária passou a considerar “autoritário” o teor da MP e por decisão unilateral, discricionária, sem propor alteração no texto ao Congresso, deixou de cumprir a lei.
Diante disso, o palavrório supostamente indignado é espuma para amenizar o constrangimento por causa das imagens da derrubada do laranjal divulgadas na televisão.
Essa lei, aliás, seria um bom tema de discussão aos pré-candidatos à sucessão de Lula. Dilma Rousseff continuará ignorando? José Serra cumprirá? Ciro Gomes revogará? E Marina Silva, o que fará?
O Magnífico
Autor de notórias declarações impróprias nas horas mais inadequadas possíveis, o ministro da Justiça, Tarso Genro, parece que brinca. O Estado não garante a segurança de uma prova que mexe com a vida de milhões de estudantes, os jovens se revoltam, as universidades desconsideram o exame como avaliação nos vestibulares, o Enem cai no descrédito, se estabelece com isso um retrocesso na já precária área da educação, e o ministro da Justiça acha bom. “Porque não apenas nós, mas toda a sociedade brasileira se tornou consciente da grande importância do Enem para a educação no Brasil”.
Por “nós” entenda-se o governo que, segundo o ministro, só percebeu do que se trata graças a dois gatunos de quinta.
Do Jornal Cruzeiro do Sul.
"Se o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix, acha que a destruição parcial da plantação de laranjas da Cutrale em fazenda invadida é um “excesso” igual a tantos outros do MST, as declarações em tom de indignação conselheira por parte do ministro da Reforma Agrária e do presidente do Incra foram até contundentes.
Pela ótica do governo federal - traduzida na manifestação do general e materializada na mobilização da “base” no Parlamento para impedir a investigação de repasses de dinheiro ao MST -, a percepção do ministro da Justiça para o problema está perfeitamente dentro dos conformes.
No último mês de março, quando quatro empregados de uma fazenda em Pernambuco foram assassinados em confrontos com sem-terra, Tarso Genro atribuiu o episódio às “táticas arrojadas” do MST.
Entre um “arrojo” e um “excesso”, temos a expressão “ação grotesca” empregada pelo ministro Guilherme Cassel para definir as imagens do trator derrubando o laranjal, e a avaliação de Rolf Hackbart, do Incra: “Isso não contribui para resolver os conflitos nem colabora com o processo de reforma agrária”.
É de se perguntar às quatro autoridades e a tantas outras que mantêm o financiamento público ao MST, além daquela autoridade maior que tudo vê e tudo corrobora, o que seria feito de um cidadão comum - ou mesmo de uma pessoa incomum, como o senador José Sarney, por exemplo - que entrasse com um trator em terras produtivas derrubando toda a produção.
Isso para não falarmos da rotina de vandalismo, que já inclui até a invasão das dependências do Congresso Nacional. Sim, o que seria feito do invasor? Preso e, na melhor das hipóteses, declarado maluco.
Pois ao MST é dado o benefício das palavras amenas, das críticas construtivas - como as do presidente do Incra, ao molde de aconselhamento sobre o que é “melhor” para o movimento - e da licença para barbarizar a tudo e a todos impunemente.
Aos cumpridores da lei resta o malefício de ouvir impotentes à cínica declaração da meliante travestida de militante a dizer na televisão que a derrubada do laranjal se destinava a abrir espaço para o plantio de feijão. “Não se vive só de laranja”, zombou a bandida, de costas para a legalidade e de mãos dadas com as autoridades federais que se recusam a cumprir a Constituição no preceito da garantia à propriedade.
E ainda sustentam os bandoleiros com o dinheiro suado dos impostos pagos pela sociedade, enquanto se comemoram os maravilhosos feitos brasileiros em sua trajetória rumo ao Primeiro Mundo. Onde podem até ser aceitas, mas costumam ser condenadas as transgressões financiadas e abrigadas pelo aparelho de Estado."
"Corrente pra frente
A tese do presidente Lula de que o Brasil não deve se preocupar com o que será gasto, mas com o que será ganho na Olimpíada de 2010, porque qualquer que precise ser o “investimento” o resultado vale a pena, parte, como sempre, do velho princípio, digamos, troglodita: os fins justificam os meios.
Por ele, ninguém foi importunado pelo fato de o gasto com o Pan em 2008 ter ficado na casa dos R$ 4 bilhões, quando o planejamento previa despesa de R$ 400 milhões.Nem por força de dispositivos previstos no Código Penal - corrupção, para sermos explícitos -, nem pela falta de qualidade técnica dos planejadores."
"Catequese
A Comissão Pastoral da Terra condena a divulgação das imagens dos sem-terra derrubando o laranjal e acha natural o MST depredar a fazenda da Cutrale porque as terras, em litígio judicial, seriam públicas.
Donde as almas sob orientação da CPT são ensinadas a defender a censura e a considerar o bem público terra de ninguém.Com todo o respeito que não merece a Pastoral nesse aspecto, suas santíssimas andam com o juízo à deriva.
Eis a questão
Vamos ao fato: as condenações de autoridades federais às ações do MST não merecem crédito. E desacreditadas ficarão até que o governo abandone a lógica da transgressão de Estado e passe a cumprir a lei, instituída há quase dez anos por medida provisória, que retira do programa de reforma agrária terras invadidas e veda benefícios oficiais a invasores.
Quando Luiz Inácio da Silva assumiu a Presidência da República, em janeiro de 2003, o Ministério da Reforma Agrária passou a considerar “autoritário” o teor da MP e por decisão unilateral, discricionária, sem propor alteração no texto ao Congresso, deixou de cumprir a lei.
Diante disso, o palavrório supostamente indignado é espuma para amenizar o constrangimento por causa das imagens da derrubada do laranjal divulgadas na televisão.
Essa lei, aliás, seria um bom tema de discussão aos pré-candidatos à sucessão de Lula. Dilma Rousseff continuará ignorando? José Serra cumprirá? Ciro Gomes revogará? E Marina Silva, o que fará?
O Magnífico
Autor de notórias declarações impróprias nas horas mais inadequadas possíveis, o ministro da Justiça, Tarso Genro, parece que brinca. O Estado não garante a segurança de uma prova que mexe com a vida de milhões de estudantes, os jovens se revoltam, as universidades desconsideram o exame como avaliação nos vestibulares, o Enem cai no descrédito, se estabelece com isso um retrocesso na já precária área da educação, e o ministro da Justiça acha bom. “Porque não apenas nós, mas toda a sociedade brasileira se tornou consciente da grande importância do Enem para a educação no Brasil”.
Por “nós” entenda-se o governo que, segundo o ministro, só percebeu do que se trata graças a dois gatunos de quinta.
Do Jornal Cruzeiro do Sul.
29.9.09
Educação que corrompe
"Uma polêmica ganhou as ruas de Minas Gerais. Após casos semelhantes em São Paulo, agora foram os alunos da rede estadual mineira de ensino que receberam livros com palavrões.
Palavras de baixo calão aparecem em textos de literatura, usados em frases em que os personagens demonstram raiva. No texto aparece frases como "Quem foi o grande filho da p... que me derrubou?" e "Carimbê fica com vontade de mandá-lo tomar no c..."
"O livro foi distribuído para alunos do Ensino Fundamental até o 9º ano e provocou a indignação de pais, professores e alunos. A dona de casa Rosane Ferreira levou um susto ao ler livros da filha. Entre textos, exercícios de português e matemática, ela encontrou palavrões.
- Eu fiquei bem assustada, porque eu nunca tinha visto um livro com essas palavras. São bem pesadas mesmo. Eu não gosto que falem, não falo, e não aceito que falem também - afirma.
Um professor de português, que não quer se identificar, se recusou a usar o livro em sala de aula.
- Eu fiquei indignado. O aluno, por mais que fale esse tipo de palavras, não é na escola que ele deve aprender. Aliás, na minha sala de aula nem o direito de falar isso ele tem - afirma.
- Eu não posso mandar os alunos rasgarem o livro que é do estado, mas minha vontade foi essa - diz o professor.
O professor, no entanto, não conseguiu impedir que os alunos tivessem acesso ao livro, que continua sendo usado para as aulas de matemática. O aluno, por mais que fale esse tipo de palavras, não é na escola que ele deve aprender
- É uma falta de respeito, porque é uma escola. E isso não devia estar aqui. Não só por causa da gente, mas pelos professores também - comenta um aluno.
- Eu falei com meu professor que eu podia falar essas palavras, porque estava aprendendo no livro. Poderia falar em casa. É uma falta de respeito, porque é uma escola e isso não deve estar na escola. Não só para a gente, mas para os professores também - diz outro aluno.
A Secretaria de Educação de Minas Gerais informou que o livro foi aprovado pela equipe pedagógica e só deve ser usado por alunos que tenham mais de 15 anos."
Do O Globo.
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"...só deve ser usado por alunos que tenham mais de 15 anos"?
Acredite se quiser.
"Uma polêmica ganhou as ruas de Minas Gerais. Após casos semelhantes em São Paulo, agora foram os alunos da rede estadual mineira de ensino que receberam livros com palavrões.
Palavras de baixo calão aparecem em textos de literatura, usados em frases em que os personagens demonstram raiva. No texto aparece frases como "Quem foi o grande filho da p... que me derrubou?" e "Carimbê fica com vontade de mandá-lo tomar no c..."
"O livro foi distribuído para alunos do Ensino Fundamental até o 9º ano e provocou a indignação de pais, professores e alunos. A dona de casa Rosane Ferreira levou um susto ao ler livros da filha. Entre textos, exercícios de português e matemática, ela encontrou palavrões.
- Eu fiquei bem assustada, porque eu nunca tinha visto um livro com essas palavras. São bem pesadas mesmo. Eu não gosto que falem, não falo, e não aceito que falem também - afirma.
Um professor de português, que não quer se identificar, se recusou a usar o livro em sala de aula.
- Eu fiquei indignado. O aluno, por mais que fale esse tipo de palavras, não é na escola que ele deve aprender. Aliás, na minha sala de aula nem o direito de falar isso ele tem - afirma.
- Eu não posso mandar os alunos rasgarem o livro que é do estado, mas minha vontade foi essa - diz o professor.
O professor, no entanto, não conseguiu impedir que os alunos tivessem acesso ao livro, que continua sendo usado para as aulas de matemática. O aluno, por mais que fale esse tipo de palavras, não é na escola que ele deve aprender
- É uma falta de respeito, porque é uma escola. E isso não devia estar aqui. Não só por causa da gente, mas pelos professores também - comenta um aluno.
- Eu falei com meu professor que eu podia falar essas palavras, porque estava aprendendo no livro. Poderia falar em casa. É uma falta de respeito, porque é uma escola e isso não deve estar na escola. Não só para a gente, mas para os professores também - diz outro aluno.
A Secretaria de Educação de Minas Gerais informou que o livro foi aprovado pela equipe pedagógica e só deve ser usado por alunos que tenham mais de 15 anos."
Do O Globo.
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"...só deve ser usado por alunos que tenham mais de 15 anos"?
Acredite se quiser.
O avesso da vida
Avesso 1
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve o prêmio Chatham House 2009, concedido pelo Instituto de Assuntos Internacionais de Londres, por sua contribuição à melhora das relações exteriores.
Lula recebe o prêmio em reconhecimento a seu trabalho para conseguir a estabilidade e a integração da América Latina e por sua liderança na resolução de crises regionais, segundo afirmou o prestigiado instituto britânico, conhecido como Chatham House.
"Os membros da Chatham House também reconhecem que a notável trajetória pessoal do presidente Lula é prova das qualidades excepcionais de liderança que o ajudaram a reforçar as cordiais relações entre Brasil e o resto da América, e certamente com os países de todo o mundo", afirma o instituto.
Na esfera subcontinental, Lula foi reconhecido por ser uma "figura-chave na estabilidade e integração na América Latina e por desempenhar um papel destacado na resolução de crises regionais", e no âmbito local por "sua contribuição para a redução da pobreza no Brasil".
Segundo o instituto, Lula estará em Londres no dia 5 de novembro que vem para receber o prêmio, em cerimônia que acontecerá na zona governamental de Londres e da qual participará o ministro britânico das Empresas, Peter Mandelson."
Avesso 2
"Se não fosse o coração de um porquinho, a jovem vegetariana Robyn Cairney, de 18 anos, poderia estar morta. Com um raro problema cardíaco, a escocesa foi submetida a uma complexa cirurgia para o implante de uma válvula extraída do coração de um porco.
Segundo o tabloide britânico “The Sun”, a garota ficou assustada ao receber dos médicos a notícia sobre a operação. “Sendo vegetariana, foi um grande choque”, afirmou. “Mas percebi que isso era uma escolha de vida ou morte.”
Robyn deixou de lado suas convicções e percebeu que continuaria sua vida somente se o suíno fosse sacrificado. “Agora, sou uma vegetariana que é mantida viva por um porco”, comentou."
Da Folha On Line e do Portal G1.
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Acredite se quiser.
Avesso 1
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve o prêmio Chatham House 2009, concedido pelo Instituto de Assuntos Internacionais de Londres, por sua contribuição à melhora das relações exteriores.
Lula recebe o prêmio em reconhecimento a seu trabalho para conseguir a estabilidade e a integração da América Latina e por sua liderança na resolução de crises regionais, segundo afirmou o prestigiado instituto britânico, conhecido como Chatham House.
"Os membros da Chatham House também reconhecem que a notável trajetória pessoal do presidente Lula é prova das qualidades excepcionais de liderança que o ajudaram a reforçar as cordiais relações entre Brasil e o resto da América, e certamente com os países de todo o mundo", afirma o instituto.
Na esfera subcontinental, Lula foi reconhecido por ser uma "figura-chave na estabilidade e integração na América Latina e por desempenhar um papel destacado na resolução de crises regionais", e no âmbito local por "sua contribuição para a redução da pobreza no Brasil".
Segundo o instituto, Lula estará em Londres no dia 5 de novembro que vem para receber o prêmio, em cerimônia que acontecerá na zona governamental de Londres e da qual participará o ministro britânico das Empresas, Peter Mandelson."
Avesso 2
"Se não fosse o coração de um porquinho, a jovem vegetariana Robyn Cairney, de 18 anos, poderia estar morta. Com um raro problema cardíaco, a escocesa foi submetida a uma complexa cirurgia para o implante de uma válvula extraída do coração de um porco.
Segundo o tabloide britânico “The Sun”, a garota ficou assustada ao receber dos médicos a notícia sobre a operação. “Sendo vegetariana, foi um grande choque”, afirmou. “Mas percebi que isso era uma escolha de vida ou morte.”
Robyn deixou de lado suas convicções e percebeu que continuaria sua vida somente se o suíno fosse sacrificado. “Agora, sou uma vegetariana que é mantida viva por um porco”, comentou."
Da Folha On Line e do Portal G1.
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Acredite se quiser.
Dora Kramer - Trecho
"PADRÃO
A condescendência do Brasil com países de regimes de força, cuja “soberania” para matar, torturar, cassar, fraudar e calar é plenamente aceita, anula a credibilidade dos ataques do presidente Luiz Inácio da Silva a “usurpadores do poder” e esvazia suas posições em defesa da democracia no mundo em geral, particularmente agora, em Honduras, onde Roberto Micheletti assume sua face mais autoritária.
Governo que reconhece a China como economia de mercado e pede o fim do embargo norte-americano a Cuba sem impor um reparo sequer ao fato de serem, ambos, ditaduras, abre mão das credenciais para cobrar respeito à democracia ou a opinar nos acontecimentos hondurenhos nos termos em que Lula vem fazendo.
Como chefe de governo e de Estado, o presidente dispõe de prerrogativas constitucionais para decidir. Inclusive decidir expor o Brasil ao constrangimento que achar mais conveniente aos seus projetos.
Só não pode é querer ter razão nem que os outros o vejam como ele se vê: dono da sorte e da verdade do universo. Quando Lula desafia as pessoas a cotejarem a palavra dele com a de um “golpista”, se esquece de que, como presidente, jamais tomou o cuidado de firmar compromisso pétreo com a palavra dita a respeito de qualquer assunto interno.
Donde subtraiu a si autoridade para cobrar confiabilidade na palavra do presidente."
Do jornal Cruzeiro do Sul.
"PADRÃO
A condescendência do Brasil com países de regimes de força, cuja “soberania” para matar, torturar, cassar, fraudar e calar é plenamente aceita, anula a credibilidade dos ataques do presidente Luiz Inácio da Silva a “usurpadores do poder” e esvazia suas posições em defesa da democracia no mundo em geral, particularmente agora, em Honduras, onde Roberto Micheletti assume sua face mais autoritária.
Governo que reconhece a China como economia de mercado e pede o fim do embargo norte-americano a Cuba sem impor um reparo sequer ao fato de serem, ambos, ditaduras, abre mão das credenciais para cobrar respeito à democracia ou a opinar nos acontecimentos hondurenhos nos termos em que Lula vem fazendo.
Como chefe de governo e de Estado, o presidente dispõe de prerrogativas constitucionais para decidir. Inclusive decidir expor o Brasil ao constrangimento que achar mais conveniente aos seus projetos.
Só não pode é querer ter razão nem que os outros o vejam como ele se vê: dono da sorte e da verdade do universo. Quando Lula desafia as pessoas a cotejarem a palavra dele com a de um “golpista”, se esquece de que, como presidente, jamais tomou o cuidado de firmar compromisso pétreo com a palavra dita a respeito de qualquer assunto interno.
Donde subtraiu a si autoridade para cobrar confiabilidade na palavra do presidente."
Do jornal Cruzeiro do Sul.
26.9.09
Reinaldo Azevedo
"O demente de Lula
Vejam a foto acima, de Edgard Garrido, da Reuters. É Manuel Zelaya e seus seguidores usando máscaras contra supostos gases tóxicos. É este cara que a ONU, a OEA e os bolivarianos e neobolivarianos como Chávez e Lula querem reinstalar no poder. Imaginem se houvesse mesmo gás por lá… Qual seria a utilidade das máscaras cirúrgicas?
O mundo se mobiliza em favor de um demente. Além dos gases tóxicos, Zelaya diz que mercenários israelenses usam contra ele radiação de alta freqüência.
Eis o demente do Lula.
Os hondurenhos não devem se animar. Zelaya está mentindo, é claro."
Do blog do autor.
"O demente de Lula
Vejam a foto acima, de Edgard Garrido, da Reuters. É Manuel Zelaya e seus seguidores usando máscaras contra supostos gases tóxicos. É este cara que a ONU, a OEA e os bolivarianos e neobolivarianos como Chávez e Lula querem reinstalar no poder. Imaginem se houvesse mesmo gás por lá… Qual seria a utilidade das máscaras cirúrgicas?
O mundo se mobiliza em favor de um demente. Além dos gases tóxicos, Zelaya diz que mercenários israelenses usam contra ele radiação de alta freqüência.
Eis o demente do Lula.
Os hondurenhos não devem se animar. Zelaya está mentindo, é claro."
Do blog do autor.
16.9.09
Reinaldo Azevedo
"Lula entrega os pontos precocemente e já dá como certa a derrota de Dilma
Estranhou o título, não é, leitor? É claro que ele não disse o que vai acima. Trata-se de uma interpretação irônica deste escriba. Numa solenidade no Ipea, o presidente da República saudou o fato de que, nas eleições de 2010, não haverá candidatos de direita. Disse Sua Excelência:
“Pela primeira vez, não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Vocês querem conquista melhor do que, numa campanha, neste país, a gente não ter nenhum candidato de direita? Uns podem não ser mais tão esquerda quanto eram. Não tem problema. A história e a origem dão credibilidade para o presente das pessoas. Era inimaginável até outro dia que chegássemos a esse momento no Brasil. Não tem um candidato que represente a direita. É fantástico. (…) Antigamente, a campanha era o candidato de centro-esquerda ou de esquerda contra os trogloditas de direita. Começou a melhorar já comigo e com o Fernando Henrique Cardoso, já foi um nível elevado. Depois, eu e o Serra também. Depois veio o Alckmin e baixou o nível, por conta dele, não por minha conta “.
Trata-se de soma impressionante de bobagens, além de revelar uma concepção obviamente autoritária, estúpida, de democracia.
Comecemos pelo óbvio. O próximo pleito, segundo diz, será o primeiro sem candidatos de direita - mas ele próprio admite que já não havia a tal “direita” quando ele disputou com Fernando Henrique, em 1994 e 1998, e com Serra, em 2002. Assim, 2010 será a primeira vez, além, naturalmente, das outras três vezes!!! É um portento da coerência! Em seguida, vem o ataque bucéfalo a Geraldo Alckmin, que mistura um pouco de tudo, especialmente rancor pessoal e frustração.
O rancor pessoal deriva do fato de que o ex-governador de São Paulo, na disputa de 2006, ousou confrontá-lo. Nem entro no mérito se a dureza a que o tucano recorreu nos debates foi eleitoralmente positiva ou não — o resultado demonstra que não era bem aquele o caminho. Mas isso não muda o fato de que Lula ficou com ódio, guardou rancor. Não aceita ser contraditado. Como se nota, ele joga na boca do sapo o nome dos adversários sem hesitar um miserável minuto. Mas considera inaceitável ser contraditado. Ora, qual foi a “baixaria” de Alckmin? Não existiu. A frustração está no fato de que Alckmin vencerá a disoputa ao governo de São Paulo, pouco importa o candidato do PT, se é que haverá um. Trato deste particular no post seguinte.
Agora vamos o mérito político e moral do que ele disse. Concordo com Lula num aspecto: com efeito, não existe direita disputando a eleição, mas o fato antecede 1994. Em 1989, já não havia. Fernando Collor não é de direita - classificá-lo assim, antes ou agora, é puro preconceito contra a… direita! Ademais, ainda que ele fosse, de quem o ex-presidente é aliado hoje em dia?
Saudar o fato de que não existe um candidato de direita e considerar isso uma evolução do processo político corresponde a afirmar que uma parte do espectro ideológico deve ser impedida de se manifestar politicamente. Partidos considerados “de direita” disputam eleições em todas as democracias do mundo. Digam-me uma só em que isso não acontece. Está alijada da disputa, em razão de atos de força, em ditaduras ou protoditaduras.
Mas recorramos a uma sintonia ainda mais fina para desmontar o que disse o valente. Segundo ele, em 2010, não haverá mais direita, embora uns possam “não ser mais tão esquerda quanto eram”. E Lula? Será Lula “tão esquerda” quanto ele era? Será que não aconteceu justamente o contrário? A ESQUERDA É QUE TEVE DE SE FANTASIAR, DE NEGAR O PRÓPRIO CREDO, PARA SE ELEGER. O Lula que foi eleito em 2002 jamais governou. Ou alguém se atreveria, no governo ou fora dele, a apontar o coração vermelho de Henrique Meirelles? A única coisa vermelha que há lá é sangue, não é mesmo?
Lula, para variar, inverte o sinal da história. A esquerda é que está morta no Brasil. Mesmo a marca do estatismo que o Lula do segundo mandato imprime à economia guarda mais semelhança com o capitalismo de estado do Regime Militar do que com qualquer modelo de esquerda.
E agora vamos ao meu título. Lula está entregando os pontos - eu diria que precocemente. Ânimo, presidente! Está avaliando que é difícil emplacar a sua candidata, aquela escolhida na base do dedaço. E, assim, tenta fazer da possível vitória de José Serra, o provável candidato da oposição, uma vitória sua, pessoal, ainda que não do PT.
A história contada por este senhor é falsa. Ele é que teve de escrever a Carta ao Povo Brasileiro para se eleger. Ele é que teve de se ajoelhar no altar do mercado. A esquerda é que perdeu. “Então Dilma não é de esquerda?” É, sim. Mas jamais faria um governo tipicamente ”de esquerda”, o que não quer dizer que não seja estatista e evidencie um óbvio perfil autoritário.
Em todo caso, o que interessa é que Lula se traiu e deu a entender que o governo vai perder as eleições. Tomara que ele esteja certo. Que o povo o ouça!"
Do blog do autor.
"Lula entrega os pontos precocemente e já dá como certa a derrota de Dilma
Estranhou o título, não é, leitor? É claro que ele não disse o que vai acima. Trata-se de uma interpretação irônica deste escriba. Numa solenidade no Ipea, o presidente da República saudou o fato de que, nas eleições de 2010, não haverá candidatos de direita. Disse Sua Excelência:
“Pela primeira vez, não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Vocês querem conquista melhor do que, numa campanha, neste país, a gente não ter nenhum candidato de direita? Uns podem não ser mais tão esquerda quanto eram. Não tem problema. A história e a origem dão credibilidade para o presente das pessoas. Era inimaginável até outro dia que chegássemos a esse momento no Brasil. Não tem um candidato que represente a direita. É fantástico. (…) Antigamente, a campanha era o candidato de centro-esquerda ou de esquerda contra os trogloditas de direita. Começou a melhorar já comigo e com o Fernando Henrique Cardoso, já foi um nível elevado. Depois, eu e o Serra também. Depois veio o Alckmin e baixou o nível, por conta dele, não por minha conta “.
Trata-se de soma impressionante de bobagens, além de revelar uma concepção obviamente autoritária, estúpida, de democracia.
Comecemos pelo óbvio. O próximo pleito, segundo diz, será o primeiro sem candidatos de direita - mas ele próprio admite que já não havia a tal “direita” quando ele disputou com Fernando Henrique, em 1994 e 1998, e com Serra, em 2002. Assim, 2010 será a primeira vez, além, naturalmente, das outras três vezes!!! É um portento da coerência! Em seguida, vem o ataque bucéfalo a Geraldo Alckmin, que mistura um pouco de tudo, especialmente rancor pessoal e frustração.
O rancor pessoal deriva do fato de que o ex-governador de São Paulo, na disputa de 2006, ousou confrontá-lo. Nem entro no mérito se a dureza a que o tucano recorreu nos debates foi eleitoralmente positiva ou não — o resultado demonstra que não era bem aquele o caminho. Mas isso não muda o fato de que Lula ficou com ódio, guardou rancor. Não aceita ser contraditado. Como se nota, ele joga na boca do sapo o nome dos adversários sem hesitar um miserável minuto. Mas considera inaceitável ser contraditado. Ora, qual foi a “baixaria” de Alckmin? Não existiu. A frustração está no fato de que Alckmin vencerá a disoputa ao governo de São Paulo, pouco importa o candidato do PT, se é que haverá um. Trato deste particular no post seguinte.
Agora vamos o mérito político e moral do que ele disse. Concordo com Lula num aspecto: com efeito, não existe direita disputando a eleição, mas o fato antecede 1994. Em 1989, já não havia. Fernando Collor não é de direita - classificá-lo assim, antes ou agora, é puro preconceito contra a… direita! Ademais, ainda que ele fosse, de quem o ex-presidente é aliado hoje em dia?
Saudar o fato de que não existe um candidato de direita e considerar isso uma evolução do processo político corresponde a afirmar que uma parte do espectro ideológico deve ser impedida de se manifestar politicamente. Partidos considerados “de direita” disputam eleições em todas as democracias do mundo. Digam-me uma só em que isso não acontece. Está alijada da disputa, em razão de atos de força, em ditaduras ou protoditaduras.
Mas recorramos a uma sintonia ainda mais fina para desmontar o que disse o valente. Segundo ele, em 2010, não haverá mais direita, embora uns possam “não ser mais tão esquerda quanto eram”. E Lula? Será Lula “tão esquerda” quanto ele era? Será que não aconteceu justamente o contrário? A ESQUERDA É QUE TEVE DE SE FANTASIAR, DE NEGAR O PRÓPRIO CREDO, PARA SE ELEGER. O Lula que foi eleito em 2002 jamais governou. Ou alguém se atreveria, no governo ou fora dele, a apontar o coração vermelho de Henrique Meirelles? A única coisa vermelha que há lá é sangue, não é mesmo?
Lula, para variar, inverte o sinal da história. A esquerda é que está morta no Brasil. Mesmo a marca do estatismo que o Lula do segundo mandato imprime à economia guarda mais semelhança com o capitalismo de estado do Regime Militar do que com qualquer modelo de esquerda.
E agora vamos ao meu título. Lula está entregando os pontos - eu diria que precocemente. Ânimo, presidente! Está avaliando que é difícil emplacar a sua candidata, aquela escolhida na base do dedaço. E, assim, tenta fazer da possível vitória de José Serra, o provável candidato da oposição, uma vitória sua, pessoal, ainda que não do PT.
A história contada por este senhor é falsa. Ele é que teve de escrever a Carta ao Povo Brasileiro para se eleger. Ele é que teve de se ajoelhar no altar do mercado. A esquerda é que perdeu. “Então Dilma não é de esquerda?” É, sim. Mas jamais faria um governo tipicamente ”de esquerda”, o que não quer dizer que não seja estatista e evidencie um óbvio perfil autoritário.
Em todo caso, o que interessa é que Lula se traiu e deu a entender que o governo vai perder as eleições. Tomara que ele esteja certo. Que o povo o ouça!"
Do blog do autor.
Dora Kramer - Trecho
"Casa de enforcado
Em seu discurso de celebração ao Dia da Democracia, o senador José Sarney abraçou a tese de que “a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas”. Segundo ele, questão “hoje discutida no mundo inteiro”. Afora a infelicidade da declaração - na essência e na oportunidade -, Sarney incorre em outros dois equívocos.
Ponto um: só os países de regimes populistas e as ditaduras tratam os meios de comunicação como adversários.
Ponto dois: só há conflito de legitimidade da representação naqueles em que as instituições exorbitam de suas funções constitucionais, abrem mão do exercício de suas prerrogativas ou fazem delas uso distorcido de forma a subverter o princípio do sistema representativo.
Nesse desenho de substituição da defesa dos interesses dos representados pela submissão a conveniências outras é que se enquadra o Congresso ora presidido pelo senador José Sarney."
Do Jornal Cruzeiro do Sul.
"Casa de enforcado
Em seu discurso de celebração ao Dia da Democracia, o senador José Sarney abraçou a tese de que “a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas”. Segundo ele, questão “hoje discutida no mundo inteiro”. Afora a infelicidade da declaração - na essência e na oportunidade -, Sarney incorre em outros dois equívocos.
Ponto um: só os países de regimes populistas e as ditaduras tratam os meios de comunicação como adversários.
Ponto dois: só há conflito de legitimidade da representação naqueles em que as instituições exorbitam de suas funções constitucionais, abrem mão do exercício de suas prerrogativas ou fazem delas uso distorcido de forma a subverter o princípio do sistema representativo.
Nesse desenho de substituição da defesa dos interesses dos representados pela submissão a conveniências outras é que se enquadra o Congresso ora presidido pelo senador José Sarney."
Do Jornal Cruzeiro do Sul.
14.9.09
Dora Kramer
"Errado por linhas tortas
Justiça se faça ao ministro da Justiça. É um homem coerente, de ideias firmes e rumo certo. Desde quando se assumiu porta-voz da campanha “Fora FHC” - contra a orientação da direção do PT - no segundo mandato de Fernando Henrique, Tarso Genro vem mantendo sempre a mesma linha de pensamento equivocada e de ação atabalhoada.
Não faz uma concessão ao acerto. Antes de entrar no tema em pauta - o anúncio do ministro sobre a crise institucional que se avizinha caso o Supremo Tribunal Federal não avalize o refúgio por ele concedido ao italiano Cesare Battisti -, um brevíssimo apanhado de alguns dos momentos (não necessariamente os melhores) do ministro.
Memorável sua participação no episódio do dossiê que a Casa Civil fazia esforço para convencer tratar-se de um “banco de dados” sobre os gastos da Presidência anterior, abraçado à tese de que a elaboração de “dossiês” era algo corriqueiro em qualquer governo.
Na crise aérea, a altura tantas do caos e da paralisia do poder público, informou que o governo não estava com “pressa neurótica” para resolver o problema. Mais recentemente, classificou como manifestação de “arrojo” o assassinato de quatro pessoas por integrantes do MST, em Pernambuco.
Com esse histórico, não surpreende que surja em cena para comentar a primeira etapa do julgamento do STF sobre o recurso apresentado pelo governo italiano à concessão do refúgio, alertando para o risco de crise institucional.
Isso, caso o tribunal confirme a tendência de anular a decisão e autorizar a extradição de Battisti para o cumprimento da condenação por quatro homicídios, na Itália. Estará, assim, na interpretação de Tarso Genro, aberto um perigoso precedente de desrespeito ao primado do equilíbrio entre os Poderes da República.
A fim de não perder relatando os inúmeros episódios em que o atual governo transgrediu o preceito interferindo nas questões internas do Legislativo - até porque um malfeito não torna lícitos outros ilícitos -, passemos ao embasamento do ministro no tocante à teoria da crise.
“Será a mesma coisa se o Poder Judiciário julgasse um determinado processo contra o Executivo, por exemplo, e o Executivo invadisse a prerrogativa do Judiciário dizendo o seguinte: ‘Não, não, não vamos cumprir porque essa decisão é juridicamente errada’. O Executivo estaria interferindo na prerrogativa que a Constituição dá ao Judiciário”.
Se o ministro mistura as coisas de propósito, sofisma. Mas se o faz com pureza d’alma, o caso é de insuficiência de compreensão do funcionamento das coisas. Ao Supremo Tribunal Federal cabe julgar em sistema de colegiado com base na lei e mediante argumentos fundamentados.
O Executivo não tem a prerrogativa de decidir juridicamente a respeito de coisa alguma. Já ao Judiciário cumpre a função de zelar pelo cumprimento da Constituição. Se o Executivo exorbitar, descumprir a lei, é o Judiciário quem deve julgar. Para isso ele existe. Por isso na democracia as decisões no Executivo não são absolutas.
Por maioria, o STF decidiu que caberia a ele, sim, examinar a concessão do refúgio, bem como até agora a maioria (4 a 3) opinou que a resolução do ministro fere tratado internacional do qual o Brasil é signatário e, portanto, obriga-se a cumprir. Ao arrepio das concepções do ministro Tarso Genro. É o Estado brasileiro que está representado na delegação conferida a ele pelo presidente da República, também submetido aos ditames legais.
Paciente, o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, não polemizou. Em resposta, apenas explicou que “essas questões não ocorrem dessa maneira. Estamos num outro padrão civilizatório no Brasil. Muitas vezes declaramos a inconstitucionalidade de uma emenda constitucional aprovada por mais de 400 votos na Câmara e setenta e tantos no Senado e isso nunca provocou celeuma nem escaramuças”.
É isso. Fosse como acredita - ou quer fazer acreditar - o ministro da Justiça, a derrubada de decisões do Legislativo, consideradas inconstitucionais, representariam interferência indevida e renderiam crises institucionais. Seria uma por mês.
Assim como uma sentença favorável à extradição e contrária à posição do ministro não abrirá crise alguma (queira o bom senso que a normalidade não seja motivo de desgosto para o ministro), um resultado oposto - em favor do refúgio - não abalará a República. Será apenas uma decisão de corte que, como diz o nome, é suprema em sua prerrogativa de resguardar a legalidade.
Identidade
A ofensiva do governo argentino contra o jornal Clarín, somada à hostilidade dos mandatários para com a liberdade de imprensa em países como Venezuela, Bolívia e, de maneira dissimulada, Brasil, é a certidão do parentesco estreito entre a concepção populista da relação entre governantes e governados e a vocação autoritária para o exercício do poder."
"Rei de França
Na toada da ironia, o presidente Lula tentou disfarçar o constrangimento causado pelo precipitado anúncio sobre a compra dos aviões franceses. Para fazer bonito diante de Nicolas Sarkozy, fez um feio danado diante dos outros concorrentes comerciais, da Aeronáutica e das regras que regem esse tipo de negócio.
Ademais, deixou-se capturar pela síndrome de Luís XIV - “L’État c’est moi” -, ao trocar o Brasil pelo singular majestático na frase “daqui a pouco vou receber os caça de graça”.
É Fantástico
Se o curso para melhorar a gestão do espaço quase exíguo de um gabinete no Senado - o da líder do governo, Ideli Salvatti - custou R$ 70 mil, a melhoria da administração da Casa como um todo custaria mais de R$ 5 milhões, levando-se em conta só os gabinetes das excelências."
Do jornal Cruzeiro do Sul.
"Errado por linhas tortas
Justiça se faça ao ministro da Justiça. É um homem coerente, de ideias firmes e rumo certo. Desde quando se assumiu porta-voz da campanha “Fora FHC” - contra a orientação da direção do PT - no segundo mandato de Fernando Henrique, Tarso Genro vem mantendo sempre a mesma linha de pensamento equivocada e de ação atabalhoada.
Não faz uma concessão ao acerto. Antes de entrar no tema em pauta - o anúncio do ministro sobre a crise institucional que se avizinha caso o Supremo Tribunal Federal não avalize o refúgio por ele concedido ao italiano Cesare Battisti -, um brevíssimo apanhado de alguns dos momentos (não necessariamente os melhores) do ministro.
Memorável sua participação no episódio do dossiê que a Casa Civil fazia esforço para convencer tratar-se de um “banco de dados” sobre os gastos da Presidência anterior, abraçado à tese de que a elaboração de “dossiês” era algo corriqueiro em qualquer governo.
Na crise aérea, a altura tantas do caos e da paralisia do poder público, informou que o governo não estava com “pressa neurótica” para resolver o problema. Mais recentemente, classificou como manifestação de “arrojo” o assassinato de quatro pessoas por integrantes do MST, em Pernambuco.
Com esse histórico, não surpreende que surja em cena para comentar a primeira etapa do julgamento do STF sobre o recurso apresentado pelo governo italiano à concessão do refúgio, alertando para o risco de crise institucional.
Isso, caso o tribunal confirme a tendência de anular a decisão e autorizar a extradição de Battisti para o cumprimento da condenação por quatro homicídios, na Itália. Estará, assim, na interpretação de Tarso Genro, aberto um perigoso precedente de desrespeito ao primado do equilíbrio entre os Poderes da República.
A fim de não perder relatando os inúmeros episódios em que o atual governo transgrediu o preceito interferindo nas questões internas do Legislativo - até porque um malfeito não torna lícitos outros ilícitos -, passemos ao embasamento do ministro no tocante à teoria da crise.
“Será a mesma coisa se o Poder Judiciário julgasse um determinado processo contra o Executivo, por exemplo, e o Executivo invadisse a prerrogativa do Judiciário dizendo o seguinte: ‘Não, não, não vamos cumprir porque essa decisão é juridicamente errada’. O Executivo estaria interferindo na prerrogativa que a Constituição dá ao Judiciário”.
Se o ministro mistura as coisas de propósito, sofisma. Mas se o faz com pureza d’alma, o caso é de insuficiência de compreensão do funcionamento das coisas. Ao Supremo Tribunal Federal cabe julgar em sistema de colegiado com base na lei e mediante argumentos fundamentados.
O Executivo não tem a prerrogativa de decidir juridicamente a respeito de coisa alguma. Já ao Judiciário cumpre a função de zelar pelo cumprimento da Constituição. Se o Executivo exorbitar, descumprir a lei, é o Judiciário quem deve julgar. Para isso ele existe. Por isso na democracia as decisões no Executivo não são absolutas.
Por maioria, o STF decidiu que caberia a ele, sim, examinar a concessão do refúgio, bem como até agora a maioria (4 a 3) opinou que a resolução do ministro fere tratado internacional do qual o Brasil é signatário e, portanto, obriga-se a cumprir. Ao arrepio das concepções do ministro Tarso Genro. É o Estado brasileiro que está representado na delegação conferida a ele pelo presidente da República, também submetido aos ditames legais.
Paciente, o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, não polemizou. Em resposta, apenas explicou que “essas questões não ocorrem dessa maneira. Estamos num outro padrão civilizatório no Brasil. Muitas vezes declaramos a inconstitucionalidade de uma emenda constitucional aprovada por mais de 400 votos na Câmara e setenta e tantos no Senado e isso nunca provocou celeuma nem escaramuças”.
É isso. Fosse como acredita - ou quer fazer acreditar - o ministro da Justiça, a derrubada de decisões do Legislativo, consideradas inconstitucionais, representariam interferência indevida e renderiam crises institucionais. Seria uma por mês.
Assim como uma sentença favorável à extradição e contrária à posição do ministro não abrirá crise alguma (queira o bom senso que a normalidade não seja motivo de desgosto para o ministro), um resultado oposto - em favor do refúgio - não abalará a República. Será apenas uma decisão de corte que, como diz o nome, é suprema em sua prerrogativa de resguardar a legalidade.
Identidade
A ofensiva do governo argentino contra o jornal Clarín, somada à hostilidade dos mandatários para com a liberdade de imprensa em países como Venezuela, Bolívia e, de maneira dissimulada, Brasil, é a certidão do parentesco estreito entre a concepção populista da relação entre governantes e governados e a vocação autoritária para o exercício do poder."
"Rei de França
Na toada da ironia, o presidente Lula tentou disfarçar o constrangimento causado pelo precipitado anúncio sobre a compra dos aviões franceses. Para fazer bonito diante de Nicolas Sarkozy, fez um feio danado diante dos outros concorrentes comerciais, da Aeronáutica e das regras que regem esse tipo de negócio.
Ademais, deixou-se capturar pela síndrome de Luís XIV - “L’État c’est moi” -, ao trocar o Brasil pelo singular majestático na frase “daqui a pouco vou receber os caça de graça”.
É Fantástico
Se o curso para melhorar a gestão do espaço quase exíguo de um gabinete no Senado - o da líder do governo, Ideli Salvatti - custou R$ 70 mil, a melhoria da administração da Casa como um todo custaria mais de R$ 5 milhões, levando-se em conta só os gabinetes das excelências."
Do jornal Cruzeiro do Sul.
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